quinta-feira, 24 de julho de 2014

Ao encontro da Compadecida: Ariano Suassuna é sepultado no Grande Recife. g1


Familiares de Ariano vestiram a camisa do Sport, time do coração do escritor, para homenageá-lo / Foto: Amanda Miranda/NE10
Familiares de Ariano vestiram a camisa do Sport, time do coração do escritor, para homenageá-loFoto: Amanda Miranda/NE10
"E, se não há quem queira pagar, peço pelo menos uma recompensa que não custa nada e é sempre eficiente: seu aplauso / Pano / Recife, 24 de setembro de 1955." Encerra Ariano, provavelmente a sua obra mais famosa, O Auto da Compadecida, tantas vezes adaptada para o teatro e o cinema. No final da tarde desta quinta-feira (24, não de setembro, mas de julho), quase seis décadas depois, as cortinas fecham e o mestre Suassuna vai descansar - quem sabe com a sua Nossa Senhora? Mas a missão já foi cumprida. Deixou todos os personagens e duas lições principais: o amor pela cultura nordestina e a leveza. Foi sepultado no fim desta tarde no cemitério Morada da Paz, em Paulista, no Grande Recife, porém teve a sua imortalidade destacada por familiares, amigos e outros admiradores. Recebeu aplausos.
A literatura, o principal legado de Ariano, foi destacado na cerimônia que durou meia hora. Poemas escritos por ele foram recitados pelos netos, começando por “Fazenda Acahuan” e “A mulher e o reino”, feitos, respectivamente, para o pai do dramaturgo, João Suassuna, assassinado quando ele ainda era criança, e para a mulher, Zélia de Andrade Lima. Enquanto o túmulo era fechado, o grande amor da vida de Ariano jogou um buquê de flores e olhou concentrada, visivelmente emocionada, amparada por duas netas.
Assim como foi visto durante todo o velório, realizado no Palácio do Campo das Princesas, sede do governo de Pernambuco, o enterro do escritor Ariano Suassuna foi cheio de pernambucanidade. A chegada ao cemitério, às 16h50, foi ao som de “Madeira que cupim não rói" tocada por violinos. Em coro, os admiradores voltaram a cantar a música que virou marca do dramaturgo. A “Ave Maria” de Charles Gounod também foi cantada aos pés do caixão.
Eram 17h20 quando pétalas de rosas vermelhas e brancas começaram a ser jogadas no caixão. Ariano foi sepultado no jardim familiar ao lado de outro ícone pernambucano: o cantor Reginaldo Rossi, que faleceu no fim do ano passado. "Viva o Movimento Armorial!" foi um dos gritos dos fãs para as últimas homenagens.
VELÓRIO - As homenagens começaram ainda no fim da noite dessa quarta-feira (23), no Palácio do Campo das Princesas, com celebração católica e orações de admiradores do escritor. Vários fãs do escritor e autoridades políticas estiveram presentes no velório, que seguiu até as 15h50 desta quinta (24). A presidente Dilma Rousseff (PT); o atual govenador de Pernambuco, João Lyra (PSB); e o prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSB) estiveram presente.
O ex-governador e presidenciável Eduardo Campos (PSB) acompanhou Ariano desde essa terça (22), ainda internado no Hospital Português. Eduardo tem ligação com o escritor desde criança e a sua esposa, Renata Campos, é sobrinha da mulher do dramaturgo. Emocionado após receber a notícia do falecimento dele, o socialista descreveu que Ariano é "exemplo de dignidade e amor ao Brasil" que todos os brasileiros deveriam seguir.

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