DE COPAS,DE RUI, DO CAOS
Ronald Mendonça
Médico e membro da AAL
Para os teóricos da Eugenia, a
conquista da Itália na Copa do Mundo de Futebol, da França, em 1938, era a
síntese da superioridade da raça branca sobre os negros. O mundo ainda não
tinha se encantado com aqueles cracaços tais como Zizinho, Didi e, sobretudo,
Pelé. Não obstante, a terceira colocação obtida pelo Brasil no certame não
passaria despercebida.
Domingos da Guia chegava próximo
da perfeição. Zagueiro clássico que se dava ao desfrute de dar “banhos de cuia”
nos atacantes se inscreveria de maneira definitiva como um dos melhores
jogadores do mundo. Contudo, descabida agressão ao adversário melaria sua
ficha. Mas, certamente, ninguém foi maior que Leônidas da Silva, o “Diamante
Negro”, considerado o “pai do gol de bicicleta”.
O ano de 1938 prenunciava-se
sombrio. É que a Alemanha já rugia e havia anexado a Áustria. Por isso, os
austríacos não mandaram representante para a Copa. Seus jogadores integraram o
time da Alemanha. Um ano depois, a França seria ocupada por tropas nazistas, a
Polônia seria invadida, enquanto Stalin e Hitler trocavam figurinhas através de
um pacto assinado por Molotov e Ribbentrop. O silêncio soviético tinha preço. O
pacote incluiria generosos pedaços do território polonês para os russos.
Maravilhoso congraçamento entre nazistas e comunistas que só seria rompido
quando Hitler invadiu a Rússia. Não se trai assim um amigo querido.
Mas em 1950 o mundo novamente
celebrava a Paz. Renasciam flores e esperanças. O futebol voltava a reunir
magicamente seres de todos os recantos. A certeza da vitória final sobre os
vizinhos uruguaios eram favas contadas. Os negros brasileiros estavam
irresistíveis. Touradas de Madri, canção de Braguinha, entoada dias antes em
pleno Maracanã, durante a acachapante vitória sobre a Espanha, não deixava
dúvidas.
1954 foi terrível. O presidente Getúlio
Vargas suicida-se. Vargas e as dores dos gols do Uruguai, naquela derrota de
quatro anos atrás, não saíam da cabeça. O time de Zezé Moreira não foi bem na
Suíça (sede da Copa de 1954). O 4x2 contra a Hungria resume tudo.
Para que chorar o que passou/
Lamentar perdidas ilusões? Há dois momentos grandiosos na vida dos brasileiros.
Em 1958, fomos campeões do mundo. Foi o de maior glória nacional. Antes, só
mesmo quando Rui Barbosa, em Haia, elevou às estrelas nossa autoestima. Agora,
prenuncia-se o caos.
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