A COPA E O ELEITOR
Por: » MARCOS DAVI MELO – médico e membro da AAL.
Após os fracassos de 1950 e 1954, a preparação da seleção brasileira de 1958 incluiu pela primeira vez uma avaliação médica: além do dr. Hilton Gosling, tinha um dentista, o dr. Mário Trigo, e um especialista em ajustar o lado mais fraco do craque brasileiro: o seu preparo intelectual e o psicológico, conforme afirmara a revista France Football. O sociólogo João Carvalhaes, especialista em seleção psicotécnica, seria o encarregado da solução dessa crítica questão.
O relatório do sábio Carvalhaes causou profundo impacto, principalmente quando versou sobre um jovem de 17 anos, Pelé, segundo o qual “era obviamente infantil, falta-lhe espírito de luta. É jovem demais e, além disso, não tem o senso de responsabilidade necessário ao espírito de equipe. Não acho aconselhável seu aproveitamento”. Sobre Garrincha, considerou-o “com inteligência abaixo da média e sem agressividade”. Para sorte da equipe, suas irretocáveis conclusões foram ignoradas.
No total, foram extraídos 118 dentes entre 33 jogadores, uma média de 3,5 por atleta. O recordista foi Oreco, que perdeu sete. Foram tratados vários casos de verminose e anemia, retrato de um time cuja maioria dos jogadores era de origem muito pobre. Mário Trigo, após concluir sua faxina sanitária, foi para a Suécia; era insuperável contador de piadas e até os jogadores banguelas o adoravam.
O presidente Juscelino, já sentindo a força do futebol como elemento persuasivo junto à população, ouviu um jogo com Amaro, pai de Garrincha e outro com Guiomar, mulher de Didi. Ao receber os campeões, lhes prometeu emprego público e uma casa, pura demagogia; mas superamos em campo, o nosso complexo de vira-latas. Hoje, outros complexos precisam ser definitivamente superados, como o de infantilização do torcedor: aquele que credita o sucesso ou insucesso de determinada candidatura ao cargo de presidente da República ao resultado da Copa. Basta de enganação.
Vamos torcer muito para que o Brasil esteja suficientemente maduro para realizar uma eleição desligada do resultado da Copa, onde a proposta mais comprometida com a evolução da nossa ainda impúbere democracia seja vencedora. Onde a meritocracia valha mais que a ideologia. Por apaixonante que seja o futebol, a questão política é e será sempre muito mais importante que a dos gramados.
O relatório do sábio Carvalhaes causou profundo impacto, principalmente quando versou sobre um jovem de 17 anos, Pelé, segundo o qual “era obviamente infantil, falta-lhe espírito de luta. É jovem demais e, além disso, não tem o senso de responsabilidade necessário ao espírito de equipe. Não acho aconselhável seu aproveitamento”. Sobre Garrincha, considerou-o “com inteligência abaixo da média e sem agressividade”. Para sorte da equipe, suas irretocáveis conclusões foram ignoradas.
No total, foram extraídos 118 dentes entre 33 jogadores, uma média de 3,5 por atleta. O recordista foi Oreco, que perdeu sete. Foram tratados vários casos de verminose e anemia, retrato de um time cuja maioria dos jogadores era de origem muito pobre. Mário Trigo, após concluir sua faxina sanitária, foi para a Suécia; era insuperável contador de piadas e até os jogadores banguelas o adoravam.
O presidente Juscelino, já sentindo a força do futebol como elemento persuasivo junto à população, ouviu um jogo com Amaro, pai de Garrincha e outro com Guiomar, mulher de Didi. Ao receber os campeões, lhes prometeu emprego público e uma casa, pura demagogia; mas superamos em campo, o nosso complexo de vira-latas. Hoje, outros complexos precisam ser definitivamente superados, como o de infantilização do torcedor: aquele que credita o sucesso ou insucesso de determinada candidatura ao cargo de presidente da República ao resultado da Copa. Basta de enganação.
Vamos torcer muito para que o Brasil esteja suficientemente maduro para realizar uma eleição desligada do resultado da Copa, onde a proposta mais comprometida com a evolução da nossa ainda impúbere democracia seja vencedora. Onde a meritocracia valha mais que a ideologia. Por apaixonante que seja o futebol, a questão política é e será sempre muito mais importante que a dos gramados.

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