quinta-feira, 12 de junho de 2014

UM TEXTO DE ALBERTO ROSTAND

SÓ A ESPERANÇA VENCE O MEDO
Alberto Rostand lanverly
Membro das Academias Maceioense e Alagoana de Letras e do IHGAL

       

Cada dia mais me convenço de que o medo é um dos grandes estimulante dos seres pensantes. Sua força é tão significativa, quando utilizado sem covardia, capaz de nortear grandes conquistas,  uma sensação que proporciona estado de alerta, pelo receio de algo que facilmente pode ser neutralizado, ainda no estado da ansiedade.
         Nunca me esqueci dos medos acalentados em meu viver. Estudante de Engenharia praticava futebol com frequente assiduidade. Antes de qualquer jogo, o melhor remédio para acalmar o receio da derrota, surgia quando todos os integrantes do time se juntavam bem unidos e, de braços dados, desejávamos realizar parte do que éramos capazes. Eram instantes em que desfilavam uma verdadeira coleção de sovacos suados, misturados a desodorante, cuecas mal lavadas, bafo de cerveja, barba por fazer. Nunca tive dúvidas de ser aquele o segredo, do qual tirávamos o gás para, invariavelmente, vencermos o embate, pois se tratava do momento em que cada jogador convencia a si próprio de como um pouco de concentração poderia, facilmente, fazer exalar o cheiro do pavor de nossos adversários, somente em pensarem que nos iriam enfrentar.
         Já estamos em Junho de 2014. Em poucos dias se inicia o Campeonato Mundial de Futebol. Apesar de temeroso, alago meu coração de esperanças sem, contudo, nem por um instante, permitir que estas venham a afogá-lo. Só assim ele estará fortalecido para pulsar, vibrante, rumo à vitória final.
         Definitivamente, como das vezes anteriores, a pátria vai parar e,  mais uma vez estaremos, todos os brasileiros, com nossos pensamentos voltados para a conquista do troféu mais cobiçado do mundo no futebol: Desde os mais sofridos que têm seus futuros vilipendiados através da droga psicoativa que é a Bolsa Família, até os nababos, cujas fortunas nem sempre possuem origens ensejadoras de credibilidade.
         Ao longo de minha vida, cada dia mais aprendo a duvidar das pedras postas no caminho porque, as surgidas em meu roteiro me ensinaram: toda vez que caio, posso, sim, levantar novamente, pois a ajuda vem a quem faz por merecer e quando a disputa já está iniciada não adianta desistir por medo da derrota.
         A sorte está lançada. A partir do dia doze de junho, o verde/amarelo será a cor do Brasil. Exatamente às dezessete horas, um ventinho frio vai passar enregelando o suor em meu rosto. Não tenho dúvidas de que nossa esperança vai fortalecer o medo, privilegiando-nos, pelo pavor que os adversários possuem do gingado brasileiro. Isto facilmente acontecerá se os craques canarinhos esquecerem o perfume francês, o caviar e as marquezines da vida e se lembrarem dos tempos em que, nos campos de várzea das periferias, nas cidades onde moravam, sentiam lágrimas quentes cozinhar seus rostos e, mesmo com os olhos ardendo de fome, às vezes de pés descalços, corriam atrás de uma bola de pano, na busca de um lugar ao sol. Tentarei transmitir a nossos craques, através de energia, a certeza de que  eles, se não são os melhores, têm tudo para serem os maiores, na profissão escolhida.
         Duas horas depois, quando a noitinha chegar, espero estar feliz porque, ao lado de Ana, minha eterna namorada, comemorarei nossa vitória, sobre o medo e sobre a Croácia. Rumo ao Hexa.

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