QUE
NEM COPA DO MUNDO
-
"Vá te catar Sara! Procure um gorducho igual a você. Barril de merda! Me
deixe em paz!"
A grossura
de Bruno foi uma punhalada no peito, Sara Gimenez desabou, chorou como uma
menina, pensavam ser a derrota do Brasil, argentina hermana, alguém comentou.
Dois meses depois Sarita retornou à Buenos
Aires, seu pai havia terminado um trabalho de três anos em perfurações, ela
nunca esqueceu o fatídico dia da eliminação do Brasil pela Holanda, avistou
Bruno algumas vezes, não o cumprimentou. Em Buenos Aires matriculou-se na Universidade,
inteligente, concluiu o curso de jornalismo em quatro anos.
Quanto
a Bruno, o garanhão, engravidou uma namorada, por imposição das famílias
casou-se, continua mulherengo, não respeita a esposa, pensa apenas em deitar-se
com todas as mulheres do mundo. Inveterado conquistador.
Sábado
passado Sarita reapareceu em Maceió, veio fazer a cobertura da Copa do Mundo para
um jornal argentino, telefonou para amigas, encontraram-se no Bar MK, balada
noturna. A jornalista fez sucesso, a gordinha desajeitada transformou-se numa
bela, elegante e sensual mulher, os amigos encantados com o bom humor, a
conversa, o sotaque e a beleza da portenha. Bruno sentado em mesa perto, não a
reconheceu. Sarita passou
cumprimentando-o, olá Brunito! Pela voz, inconfundível, percebeu ser Sarita.
Ele levantou-se surpreso, aproximou-se, beijou-lhe a face, deslumbrou-se por
aquela mulher fascinante, bem vestida, metamorfose da gordinha insossa. Ele conversava
olhando insistentemente o decote generoso da argentina, pediu para ficar em sua
mesa, todo prosa, paquerava Sarita Gimenez desbragadamente. Homem casado teve
que se recolher mais cedo, pediu o número do celular de Sara. Ela ficava em
Maceió até a abertura da Copa, na sexta embarcava para o Rio, cobrir os jogos
da Argentina. Todos os dias Bruno telefonou tentando marcar encontro, alucinado,
só pensava em Sarita, nunca uma mulher despertou-lhe tanto desejo. Sara admitiu
um encontro, sugeriu assistir ao início da Copa, Brasil x Croácia, num motel, depois
comemoração no Bar MK. Aceita a sugestão. Único problema, Bruno casado, não
ficava bem Sarita andar em seu carro. Acertaram o melhor motel da praia de Jacarecica,
ele iria na frente, quando estivesse no apartamento do motel telefonava para
Sarita, logo ela chegaria de taxi, uma tarde de amor, emoção, alegria,
comemoração.
Na
quinta-feira Bruno embromou a esposa, disse que assistiria o jogo na casa do
Nivaldo, sabendo que ela o detestava, marcaram para se encontrarem no Bar MK
depois da vitória do Brasil. Às três horas da tarde Bruno passou numa farmácia,
comprou camisinha e viagra, rumou à Jacarecica. Na suíte presidencial tomou
banho demorado, enxugou-se, perfumou-se, olhando-se no espelho, narcisista de
nascença. Enrolou-se numa toalha, às quatro horas telefonou para Sarita. Ela
atendeu, chegaria a pouco, esperasse.
Na
terceira dose de uísque,faltando dez minutos para cinco, Bruno tornou-se
ansioso, Sarita não chegava, tocou o celular várias vezes, fora de área ou não
atendia. Teve de assistir ao jogo
sozinho, Sarita não apareceu. De repente lembrou-se de sua grossura quatro anos
atrás. Ao terminar a partida, 3 x 1 para o Brasil, Bruno dirigiu-se ao Bar MK
onde estava sua esposa. Em uma mesa repleta de gente, Sarita, belíssima, bebia
comemorando a vitória do Brasil, olhou para Bruno às gargalhadas junto aos
amigos. Vingança de mulher às vezes custa quatro anos que nem Copa do Mundo,
mas chega.

Nenhum comentário:
Postar um comentário