sexta-feira, 16 de maio de 2014

UM TEXTO DE ALBERTO ROSTAND

Álbum de Figurinhas
Alberto Rostand Lanverly
Membro das Academias Maceioense e Alagoana de Letras e do IHGAL
           

Quem nunca colecionou um Álbum de Figurinhas? Em minha infância, quando pedia para meus pais  comprarem os pacotinhos  minha maior alegria, ao recebê-los, era direcionar as imagens a seus respectivos espaços. Lembro que adorava as repetidas, pois, além de trocá-las com colegas do Colégio Marista, podia fixá-las em meus armários e cadernos escolares. Eram fotos coloridas, divertidas, cada uma com sua história que, indelevelmente, se fixaram para sempre em minha memória.
            Colecionar Álbuns de Figurinhas sempre foi quase um vício, para mim. Após concluídos eles eram guardados a sete chaves, como um legado à posteridade: Super Heróis, Amar É, Selva Amazônica, são alguns títulos nunca esquecidos.
Muitas foram as experiências desenvolvidas, repetindo-as com minhas filhas e revivendo-as agora com Arthur, meu neto. Hoje o ajudo a preencher o Álbum da Copa e, graças à experiência adquirida, possuo o arbítrio de realizar comparações acompanhando o envelhecimento dos craques, através dos cromos, comparando a variação do semblante de cada um, no intervalo de quatro anos. Em dois mil e dez, por exemplo, o português Cristiano Ronaldo era um jovem em desenvolvimento e, hoje é o melhor do mundo; Júlio Cesar, o goleiro brasileiro, o adolescente das luvas, tornou-se o senhor do gol; Lionel Messi, então uma promessa, nos dias atuais tornou-se um super craque pressionado.
Existiu um Álbum, quando as figuras ainda não eram auto colantes, que considero especial. Tinha como tema O Brasil, contexto que nunca esqueci e, hoje folheando-o, vejo como as verdades mudaram. Os Ministros de Estado da época, foram personalidades conhecidas; a bandeira brasileira era idolatrada; o homem do campo vivia do cultivo de hortas e da ordenha do gado, respeitando a liberdade do próximo.
Tomando como base aquelas figurinhas que retratavam nosso país, meu pensamento flutuou para um diálogo mantido, dias atrás, com um Sem Terra   participante de bloqueio rodoviário. Ele disse: estamos fechando tudo, porque queremos mais benefícios, embora tudo já esteja bom! Todas as noites tenho um prato de comida em minha mesa e posso dar uma gargalhada enquanto as estrelas parecem sorrir para mim. Se não sair nada, temos a Bolsa Família que, por sinal, agora foi aumentada.
Preocupei-me, lembrando que nos álbuns de figurinhas das copas, Japão e Coréia eram as seleções com cujos semblantes dos jogadores sempre tive muitas dificuldades de lidar, principalmente no momento da troca, pois, por serem todos “iguais”, nunca se sabia se já a possuía ou não. Contavam, a boca miúda, que alguns colegas colavam uma repetida, no lugar da outra, e ninguém percebia a diferença.
Infelizmente, a cada dia verifico que a grande massa brasileira, agindo sem pensar, não nota mais a diferença entre receber esmola ou sobreviver de um emprego, com dignidade. Ultimamente, colei a figura do Neymar no álbum de Arthur, meu neto, e o fiz com o maior cuidado do mundo, não porque ele é craque, mas porque cai muito. Continuando do jeito que estão, os descalabros do Brasil, quem não cairá tão cedo, é o atual governo, que aí está.

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