Talismã verde, amarelo e azul
O Brasil jogou com camisas brancas entre 1914 e 1950, quando o jornal Correio da Manhãapontou o uniforme como "maldito" depois do Maracanazo. Para a publicação, daquela maneira não se podia continuar. Junto da Confederação Brasileira de Desportos, organizou um concurso cujas bases eram inegociáveis: o conjunto teria que combinar as cores da bandeira brasileira. Quem ganhou foi um escritor e ilustrador gaúcho de apenas 18 anos, Aldyr Garcia Schlee, que imaginou o uniforme mais famoso do mundo: a camisa amarela com detalhes verdes, short azul e meias brancas. A Seleção o estreou na Copa do Mundo da Suíça 1954 contra o México. Goleou por 5 a 0 e aquilo talvez tenha sido um presságio. O Brasil ganharia cinco títulos vestido como Schlee imaginou, embora o da Suécia 1958 teria sua particularidade. Na final, os suecos já usavam a camisa amarela como primeira opção. Houve um sorteio, os europeus ganharam e o Brasil precisaria mudar. Outra vez o branco? Nem de brincadeira. Dois dias antes do jogo, a delegação brasileira comprou, em uma loja de Estocolmo, um conjunto de camisas azuis, a cor de Nossa Senhora de Aparecida, padroeira do Brasil. Tiraram os escudos originais, costuraram os da CBF e os jogadores foram para campo. Pelé e Garrincha fizeram mágica e o Brasil ganhou por 5 a 2. Foi o primeiro título mundial brasileiro e o início de outra tradição: desde então, a camisa reserva da Seleção é sempre azul.

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