HIENAS DO BEM
RONALD MENDONÇA
MÉDICO E MEMBRO DA AAL
Comparando João Paulo à hiena, a
crônica de Walter Mairowski, lida por ele mesmo na Rádio CBN, foi cercada de
analogias e metáforas. Tudo porque o ex-deputado e ex-presidente da Câmara
Federal, João Cunha, viu reduzida sua penalidade em cerca de 3-4 anos.
Humanitários juízes do STF chegaram a uma conclusão óbvia: JC não lavou
dinheiro público ou privado. Aliás, nunca lavou nada. Consta ser alérgico a todo
tipo de sabão, detergentes, até aqueles específicos para lavar notas de
cinquenta e de cem. Os detergentes que lavam cédulas menores causam violentas
urticárias nas mãos dos alérgicos. Se insistir, as bolhas terminam em ulcerações
terríveis.
Dou-lhe razão. Nosso herói não
quis arriscar. Consta que, da última vez em que tentou lavar, mesmo numa
concentração diluída, teve os olhos inchados, bronco espasmo e quase morre. Não
por acaso seus advogados não admitiram lavagens. JC jamais teria lavado nada. Nem
a própria cueca, muito menos a cueca de outros petistas melada de dólares. No máximo ele enxuga. Assim mesmo com luvas
antialérgicas.
Mairowsky exagerou nas críticas.
Com efeito, o advogado/jornalista ficou furibundo porque JC comemorou
ruidosamente sua mudança de regime de prisão. Passará do quase-fechado para o regime
semi aberto. Com certeza, tendo-se como base a qualidade moral dos hóspedes da
Papuda, a reabilitação moral e ética dar-se-á dentro de alguns dias. A previsão
é de que ele e seus colegas de trambiques deixem a Papuda em estado de graça.
Afinal, existe um contingente maravilhoso trabalhando na recuperação desses guerreiros.
Se houve alguma insatisfação com o resultado final, devemos atribuir ao espírito
misericordioso dos ministros.
Em boa hora, os ministros do STF
também descriminalizaram a mulher do moço. Que culpa tem aquela inocente?
Confiando cegamente no marido e em Valério, como poderia imaginar que aquele
dinheiro, recebido à sorrelfa, poderia ser sujo? Era preciso ter a mente
corrompida pelo pecado. A mulher recebe
orientação de negar que foi receberuma babinha. A estratégia era dizer que
tinha ido pagar o boleto da Sky... Somente um ser extremamente mau desconfiaria.
Mas como diria a amante de Henry IV,
“O Banco Rural vale bem uma missa”. Se a cândida esposa de João Paulo Cunha não
tivesse ido ao Banco, hoje nada disso estaria acontecendo. Em compensação, a
babinha iria passar por outros meios. A criatividade petista supera qualquer
obstáculo. A grande verdade é que, segundo o Supremo, João Paulo Cunha,
militante “incorruptível” não passa de um mero corrupto. Isso não é motivo para angústias
desnecessárias. Jamais um adjetivozinho
pespegado pela imprensa reacionária e por um Supremo politizado irá macular a biografia
deste patrimôniodo Partido.
O que queria Mairowski? Que João
Paulo e sua incorruptível esposa se quedassem prosternados no ardente betume de
Brasília? É evidente que ele e os comparsas são “hienas” (comem fezes e têm relação sexual
uma vez por ano, não obstante sorriem desbragadamente). Mas são hienas do bem!
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