A
COMPETENTE CABELEIREIRA
Manoela abandonou os estudos, procurou
emprego, copeira, lavadeira, cozinheira, fazia qualquer serviço para ajudar a
mãe. Uma colega desencaminhou-a a fazer programa, ela enfrentou um homem sem
escrúpulos, sem higiene, detestou, teve nojo, nunca mais fez programa na vida. Certa
vez participou de um curso do SENAC de cabeleireira, descobriu sua vocação,
empregou-se em um salão de beleza, a jovem fez rápido sucesso, suas mãos
suaves, mágicas, obedecem à criatividade, sabem manusear cabelos . Manoela
tornou-se a queridinha das dondocas, das socialites, nos dias de sextas-feiras
trabalha até altas horas. Em três anos juntou algum dinheiro, comprou casa nova
modesta para família. Apesar de alguns pedidos, nunca quis casar, nunca quis se
amarrar, gosta da vida, ama ser solteira, ser boêmia, ser independente.
Aprendeu a usar anticoncepcional e camisinha,
hoje vive para amar, nem que seja amor passageiro de uma noite. Manoela escolhe seus amores, gosta da
noitada, da cerveja, da boemia nos fins de semana. Segundo um médico, parceiro
esporádico na cama de Manoela, além do furor uterino, ela tem o poder, o
instinto, de realizar as fantasias dos homens, seja jovem ou idoso. Nunca aceitou
dinheiro por instantes de amor, transa porque quer, porque gosta, tem suas
prioridades na escolha dos parceiros, gosta de homem bonito, bem vestido, limpo,
não interessa a idade.
Certa noite, Manoela tomava umas cervejas
com amigos num bar da Lagoa, de repente ele apareceu, estampa de homem, quase
1,90 metros, espadaúdo, cabelo preto escorrido ao ombro, parecia um artista de
televisão, todo bonito. Ao vê-lo entrar
no bar, as pernas de Manoela tremeram de leve, o sangue veloz nas veias
avermelhou o rosto, esquentou a temperatura. Por sorte ele conhecia uma das
amigas, veio em direção à mesa, sentou-se em frente de Manoela. A simpatia da
cabeleireira encantou Salomão, o jovem bonito, passaram a noite conversando, bebendo e comendo. Eram duas horas da manhã
ao fechar a conta, Manoela pediu carona a Salomão, moravam perto, descobriram,
ao deixá-la em casa ela o abraçou, beijou-o na boca, ele não correspondeu, afastou-a
com carinho, abriu seu coração.
-
"Manoela, gostei muito de você, entretanto, entre nós existe um grande
empecilho, sou homossexual, gosto mesmo é de homem."
Ainda em estado de choque ela respirou fundo, olhou nos olhos de Salomão,
disse apenas, "um desperdício". Foi dormir.
Por
toda semana lembrava a imagem de Salomão, aquele Deus, o homem mais bonito que conhecera na vida, despertou-lhe
incontida paixão, contudo, jogava no
outro time, não acreditava. Salomão não lhe saiu da cabeça.
Outro sábado à noite no mesmo bar, com as mesmas
amigas, contou o ocorrido, elas já sabiam, sorriram e caçoaram. De repente
entra Salomão, bem vestido, bonito, parecia uma estátua. Conversaram, beberam, comeram, divertiram-se.
Na hora da saída Manoela entrou no carro de Salomão, ao passar num motel à
beira da lagoa, ela convidou-o a tomar mais cerveja, nada iria acontecer,
insistiu, ele com relutância entrou no motel. Daí por diante com sua magia, sua
química, sua maestria e competência, a cabeleireira conseguiu transformar
Salomão. Hoje ele é bissexual assumido e um dos parceiros amorosos mais
frequentes da grande Manoela, a cabeleireira.

Nenhum comentário:
Postar um comentário