quarta-feira, 5 de junho de 2013

UM TEXTO DE ALBERTO ROSATAND

OS HOMENS E SEUS SONHOS

ALBERTO ROSTAND LANVERLY
Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas e da Academia Maceioense de Letras
            


Sou dos que entendem serem, os racionais sonhadores por natureza.  Sem esta atividade latente, o brilho do cotidiano desaparece quase definitivamente, já que, a máquina que movimenta o universo parece deixar de funcionar, enclausurando o homem na repetitividade de seus atos.
            Dias atrás, retornei no tempo, e me vi criança, na pessoa de Arthur, “meu neto”. Ele tentava concluir um laço, no cadarço de sapato. Atividade simples ao se adquirir a prática, mas, bastante complexa para um iniciante, quando, de um instante para outro, as cordoalhas se embaralham, desfazendo tudo o que estava feito.
            Analisando seu concentrado comportamento, impressionei-me com o esforço dedicado a concluir a tarefa. Foi, então, que fiquei feliz, ao vê-lo errar inúmeras vezes, pois, ao menos, estava tentando, uma vez que a vida é sabia ao mostrar, a tantos quantos queiram enxergar, que não basta dar um passo para se atingir a um objetivo. Cada um destes movimentos representa uma pequena intenção, cujo somatório, nos leva adiante.
            Se, por um lado, aspirar é preciso, por outro, surpresas são reservadas quando estas perdem privacidade, incorporando a seu contexto, também, o arbítrio de terceiros. Um atleta, por exemplo, que tem por objetivo concluir os quarenta e dois quilômetros de uma maratona, sabe que treinando espartanamente, dificilmente deixará de lograr êxito. Este mesmo corredor, porém, na busca do titulo de destaque da competição, ao submeter sua perícia a um colegiado de avaliadores, até a emissão do veredito final, sempre terá dúvidas a respeito da escolha, vez que ingredientes qualitativos temperam a incerteza de que obterá o que se deseja, para, enfim, poder desfrutar.
            Independente do fato de que os sonhos venham a ser utilizados em consumo próprio, ou como meio para atingir horizontes mais amplos, por simples ou sofisticados que possam parecer, é fundamental que estes estejam estruturados em bases solidas e consistentes, fato que dificilmente ocorrerá sem o estabelecimento prévio das metas a serem atingidas, já que estas tem o poder de fazer com que o cérebro de uma pessoa, coloque todo seu foco, na expectativa de alcançar determinados objetivos. Caso contrário, tudo não passará de mero desejo otimista, ratificando a máxima que afirma: “querer não é poder”.
            Pablo Neruda o adorável chileno, um dia afirmou que “o caminho se faz ao caminhar”. Nesta linha de raciocínio, torna-se fundamental ao homem que deseja, saber estabelecer diretrizes, que, se seguidas, no futuro poderão conspirar para a realização de suas ambições. Nem ganhar na loteria se consegue, se uma aposta não for registrada em dias anteriores.
            Na vida, nada mais natural do que querer atingir o sucesso. Porém,  o mais importante é estar consciente de todas as dificuldades e barreiras que se teve de enfrentar, para alcançar tais conquistas: Elas servirão para sedimentar caminhos, que, em instantes seguintes, serão trilhados na concretização de novas vitórias. Este é o ciclo da permanência do homem na terra.

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