segunda-feira, 8 de abril de 2013

UM TEXTO DE NELSON MOTA


     Uma análise do mensalão - Nelson  Motta

                                
 

 
                       

Se o mensalão não tivesse existido, ou se não fosse
        descoberto, ou se Roberto Jefferson não o denunciasse, muito
        provavelmente não seria Dilma, mas Zé Dirceu o ocupante do Palácio
da  Alvorada, de onde certamente nunca mais sairia. Roberto
Jefferson tem todos os motivos para  exigir seu crédito e nossa eterna
gratidão por seu feito heroico: "Eu  salvei o Brasil do Zé Dirceu."

Em 2005, Dirceu dominava o
        governo e o PT, tinha Lula na mão, era o
candidato natural à sua sucessão. E passaria como um trator sobre quem ousasse se opor à
sua missão histórica. Sua companheira de armas Dilma Rousseff poderia ser,
          no máximo, sua Chefe da Casa Civil, ou presidente da Petrobras.

Com uma campanha milionária comandada por João Santana,
        bancada por montanhas de recursos não contabilizados arrecadados
pelo  nosso Delúbio, e Lula com 85% de popularidade animando os
palanques,  massacraria Serra no primeiro turno e subiria a rampa do Planalto
nosbraços do povo, com o grito de guerra ecoando na Esplanada:
"Dirceu  guerreiro/ do povo brasileiro." Ufa!

A Jefferson também devemos a criação do termo "mensalão". Ele sabia que os pagamentos não
eram  mensais, mas a periodicidade era irrelevante. O importante era o
          dinheirão. Foi o seu instinto marqueteiro que o levou a cunhar o
          histórico apelido que popularizou a Ação Penal 470 e gerou a
aviltante  condição de "mensaleiro", que perseguirá para sempre até os
eventuais absolvidos. O que poderia expressar melhor a ideia de uma
conspiração  para controlar o Estado com uma base parlamentar comprada
com dinheiro  público e sujo? Nem Nizan Guanaes, Duda Mendonça e
Washington Olivetto juntos criariam uma marca mais forte e eficiente. Mas antes de
          qualquer motivação política, a explosão do maior escândalo do
Brasil moderno é fruto de um confronto pessoal, movido pelos instintos
mais primitivos, entre Jefferson e Dirceu.

Como Nina e Carminha da política, é a história de uma vingança suicida, uma metáfora da
luta do mal contra o mal, num choque de titãs em que se confundem
o épico e  o patético, o trágico e o cômico, a coragem e a vilania.
Feitos um  para o outro.

O "chefe" sempre foi José Dirceu. Combativo,  inteligente, universitário -
não sei se completou o curso - fala  vários idiomas, treinado em Cuba e na Antiga União Soviética,
entre outras coisas. E com uma fé cega em implantar a Ditadura do  Proletariado a "La Cuba".

Para isso usou e abusou de várias pessoas e, a mais importante - pelos
resultados alcançados - era  Lula. Ignorante, iletrado, desonesto, sem
ideais, mas um grande manipulador de pessoas, era o joguete ideal para o inspirado José Dirceu.

Lula não tinha caráter nem ética, e até contava, entre
          risos, que sua familia  só comia carne quando seu irmão "roubava"
          mortadela no mercado onde trabalhava. Ou seja, o padrão ético era
          frágil . E ele, o Dirceu, fizera tudo direitinho, estava na hora
de colher os frutos e implantar seu sonho no país. Aí surgiu Roberto
          Jefferson... e deu no que deu.

Nenhum comentário:

Postar um comentário