sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
UM TEXTO DE RONALD MENDONÇA
A LOUCURA NO BANCO DOS RÉUS
RONALD MENDONÇA
MÉDICO E MEMBRO DA AAL
Luiza Nagib Eluf é a autora de A Paixão no Banco dos Réus, opúsculo que oscila entre o
jornalismo investigativo e o Direito. Ali são relatados os mais rumorosos casos de (loucos)
crimes passionais do país, desde a época do império, delito praticado por Pontes Visgueiro,
um sexagenário alagoano, magistrado, residente no Maranhão. Um crime bárbaro contra
uma adolescente que enloqueceu Visgueiro.
São impressionantes os detalhes que culminariam com o assassinato da cultuada professora
Margot Proença, a mãe de Maitê Proença, crime cometido pelo marido, um ensandecido
promotor de Justiça, que, aliás, anos depois se suicidaria.
O livro também vai fundo na atribulada vida de Ana, esposa de Euclides da Cunha, cujo
amante, Dilermando, depois marido, mataria não só o iracundo autor de Os Sertões, como
também o filho deste (e de Ana). O curioso é que, em ambas ocasiões, os crimes teriam sido
praticados em legítima defesa.
Embora não conste ainda do texto da Dra. Nagib, acho que em breve ela acrescentará as
tragédias protagonizadas por duas mulheres: Elisa, a ex-prostituta que esquartejou o marido
japonês e Carla Cepollina, temperamental advogada que teria compartilhado dos últimos
momentos de vida do polêmico coronel Ubiratan.
Comovente foi o caso do advogado Galvão Bueno. Atingido por um tiro disparado pela
esposa, Bueno chegaria vivo ao hospital. O depoimento do médico que o atendeu seria
fundamental para a absolvição da assassina. Consta que o ferido, um renomado criminalista,
em agonia, teria dito ao cirurgião: "Doutor, por favor me salve; preciso defender minha
mulher."
Antes de desejar Boas Festas, um último comentário sobre mortes violentas, em massa. Se os
moveis nos crimes passionais são o ciúme, a traição (real ou imaginária), a "perda da posse",
em chacinas, como as recorrentes dos Estados Unidos, a loucura ou uma pseudo-motivação
política são destaques. Loucos desarmados jogam pedras, picham paredes, discursam em vias
públicas... Loucos armados fazem o quê?
Loucura mata. No Brasil, tivemos dois casos emblemáticos, superponíveis aos americanos.
Um deles, em S. Paulo, num cinema. O outro, numa escola do Rio de Janeiro. Em ambos ficou
comprovada doença mental grave. Hitler, Mao e Stalin estariam enquadrados em outra fatia
nosológica. De qualquer forma, um tratamento psiquiátrico, com internamento compulsório
dessa turma, poderia ter salvo a vida de milhões de inocentes.
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