quinta-feira, 4 de outubro de 2012

UM TEXTO DE ALBERTO ROSTAND


O PENSAMENTO E OS ALTOS COTURNOS
ALBERTO ROSTAND LANVERLY
Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas e da Academia Maceioense de Letras
            Certa vez, tive  oportunidade de colocar, em um de meus textos, que escrevo, não preocupado que alguém possa lê-los, mas,  nutrindo o mais profundo respeito por quem, coincidentemente, venha a fazê-lo. Acontece que, sempre me chegam comentários sobre os artigos que publico em “O JORNAL”.
            Dias atrás, recebi, de um Coronel do Exército Brasileiro, de quem sou irrestrito fã, a seguinte correspondência eletrônica: “Rostand, a respeito “dos altos coturnos”, encaminho este artigo para você dar uma lida”. Sob o titulo de: “Os objetivos da comissão da verdade”, de autoria de Luiz Nassif, em rápidas palavras, relata o abandono sofrido pelo Exército Brasileiro, se comparado a instituições semelhantes, de países emergentes integrantes do BRIC – Brasil, Rússia, Índia e China – e, também, do vizinho Chile. Achei muito interessante o escrito.
            A propósito: vivi minha infância, vendo os adultos compararem “comunistas” com a figura lendária do folclore brasileiro, o “papa-figo” e “japoneses” com os traidores do mundo. Cresci um pouco mais, e, com menos de uma década de vida, escutava que a ditadura iria acabar o país, tudo sendo culpa do Exército Brasileiro. O tempo passou. Mesmo aprendendo a ler, escrever e, acima de tudo, pensar – que é o mais importante – nunca esqueci aquelas “frases de ordem”, apesar de possuir excelentes amigos, “militantes da esquerda”, integrantes da caserna verde oliva” e originários da “ terra do sol nascente”.
            O grande problema, contudo, é que, no Brasil, as pessoas, entidades ou instituições não admitem que seus antecessores tenham feito história. Não somente na política, quando os comandantes da hora, estilo “Lula ex-presidente”, apressam-se, não em enaltecer o Brasil, mas em tentar incutir, na cabeça de todos, que tudo o que temos deve-se a ele, ao José Dirceu e outros, esquecendo que uma história se faz a cada novo episódio, e que ninguém é grande sozinho.
            Em minha UFAL, tal fato também procede, quando, “servidores que por lá passaram”, são esquecidos, talvez por insegurança dos substitutos... Perpetua-se a prática, nos times de futebol, nos municípios, nos estados e, o que é pior, às vezes até nas famílias, talvez como uma forma de neutralizar a possível “sombra”, que algo ou alguém, possa fazer à estrutura ora vigente.
            A resposta para tudo está no pensamento. Ele é o processo que leva a mente humana a realizar questionamentos, que, quando bem formulados, discernido e “bem pensado”, lhe desnuda a grandeza. Por outro lado, quando obscuro, mesquinho e intolerante, lhe apresenta a pequenez.
            O brasileiro, ainda por muito tempo, irá pagar caro, pelo “nanismo” dos que, independente da cor partidária, tiveram “tinta na caneta” e nada fizeram para mudar. Meus netos, certamente, não mais falarão em “coturnos, papa-figo ou japonês”, mas, não deixarão de mencionar “bolsa família, enxoval e esmola”. Retratos de uma época...

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