sábado, 20 de outubro de 2012

JB NAHISTÓRIA


19 de outubro de 1967 – Começa o II Festival da Canção



Num momento em que o Brasil estava sob vigilância constante do Exército, assegurada pela Lei de Segurança Nacional, acontecia no Rio o II Festival Internacional da Canção. Promovido por uma rede de televisão, o evento era uma forma de libertação artística e cultural das apertadas mordaças da ditadura; intérpretes e compositores ganhavam, pela segunda vez, um espaço para soltar a voz e apresentar canções que, pouco tempo depois, tornariam-se verdadeiros hinos da juventude setentista.

Na noite do dia 19 de outubro, subia ao palco um jovem de nome complicado, para entoar a canção que venceria o festival naquele ano: “Margarida”. Gutemberg Néri Guarabira, que anos mais tarde formaria a dupla Sá e Guarabira, fez de “Margarida” a nova “Banda” (1966, de Chico Buarque) do povo. A canção escolhida para representar o Brasil no evento não foi somente a mais aplaudida como também a que conseguiu mobilizar o sentimento coletivo do público.

O baiano, com sua canção de amor que unia tema medieval com cantiga de roda e felicidade, derrotou grandes favoritos, como Chico Buarque (“Carolina”, terceiro lugar), Edino Krieger e Vinícius de Morais (“Fuga e Antifuga, quarto) ou Milton Nascimento (Travessia, segundo lugar).

- Quis apresentar uma canção diferente, alegre – disse Guarabira após o júri ter concedido a ele a vitória do festival – Acho que valorizei uma história simples que estava estratificada – acrescentou.
241067


Em São Paulo, o III Festival da MPB, cujo final se dera dois dias após o início do evento carioca, seguia outro caminho. Fora revelado em seu palco o fenômeno que marcaria a década seguinte: a Tropicália. Caetano Veloso, tocando uma irreverente guitarra elétrica, virava fenômeno nacional após a apresentação do hino “Alegria, Alegria”. O evento paulista teve como campeã a canção de Edu Lobo e Capinam “Ponteio”, seguida por “Domingo no Parque”, de Gilberto Gil; “Roda Viva” de Chico Buarque; e, enfim, “Alegria, Alegria”.

Era o início de uma nova era para a Música Popular Brasileira, que agora incorporava o som frenético das guitarras elétricas do rock internacional, misturando-o com samba, bossa e a melodia da boemia carioca, tudo sustentando composições inteligentes, que tentavam, de alguma forma, driblar os censores militares; levando mensagens de amor, liberdade e resistência aos quatro cantos do Brasil.


Milton Nascimento cantanto "Morro Velho"

Nenhum comentário:

Postar um comentário