6 de outubro de 1999: Cala-se a voz maior do Fado. Morre Amália Rodrigues
"Não sei, não sabe ninguém
Por que canto o fado neste tom magoado de dor e de pranto
E neste tormento todo o sofrimento
Eu sinto que a alma cá dentro se acalma nos versos que canto
Foi deus..." Amália Rodrigues
A diva do fado, Amália Rodrigues, 79 anos, foi encontrada morta em sua residência em Lisboa, no início da manhã, cinco anos após abandonar para sempre os palcos por conta de problemas cardíacos e respiratórios.
A notícia causou comoção nacional. Fãs renderam-lhe homenagem em toda parte. Por todo Portugal ecoou a melancolia das músicas gravadas por ela.Coimbra, Barco negro, Lisboa antiga, Ai Mouraria, Foi Deus e muitos outros sucessos tomaram conta das rádios e tvs.
Com a perda de uma de suas filhas mais ilustres, Portugal decretou luto.
Quem cantou o destino e a fatalidade a vida inteira, teve na sua própria trajetória motivos de sobra para acreditar neles. De origem humilde, Amália da Piedade Rebordão Rodrigues foi registrada no dia 23 de julho de 1920, mas muitas vezes revelou que nunca soube ao certo a data de seu nascimento. Era de Alcântara, freguesia de Lisboa, lugar popular, repleto de costumes e tradições folclóricas, fonte inspiradora que seria uma generosa contribuição à sua carreira. Começou cedo a ajudar a família. Foi vendedora de frutas no porto da capital, e cantou em tabernas antes de estrear, aos 19 anos, no Retiro da Severa, em 1939. Percorreu uma longa estrada até a conquista do reconhecimento internacional. A consagração aconteceu num espetáculo no Olympia de Paris, em 1957. Acusada de pactuar com o governo salazarista - época em que tinha enorme prestígio - sofreu perseguições da esquerda após a Revolução dos Cravos. Mesmo depois de subir ao palco e cantar em um de seus shows Grandola Vila Morena, considerada canção da Revolução, continuou alvo de acusações. Porém, agora dos dois lados: "Eu só cantei fados, nunca pensei em política".
Coube à força de sua interpretação superar essa mágoa. Seu último grande show foi em julho de 1988, em Lisboa, quando apresentou-se para 20 mil pessoas.
Saudades do Brasil em Portugal
Amália Rodrigues percorreu o mundo com seu fado. Ao todo foram 168 discos editados em mais de 27 países. No Brasil, esteve por várias vezes, sempre reverenciada. Gravou Amália e Vinicus, com Vinicius de Moraes e teve inúmeros sucessos regravados por nomes como Caetano Veloso, Chico Buarque e Maria Bethania. A proximidade com o público brasileiro decorreu, além da identidade cultural entre os dois países, de seu segundo casamento com o industrial brasileiro César Seabra.
Por que canto o fado neste tom magoado de dor e de pranto
E neste tormento todo o sofrimento
Eu sinto que a alma cá dentro se acalma nos versos que canto
Foi deus..." Amália Rodrigues

A diva do fado, Amália Rodrigues, 79 anos, foi encontrada morta em sua residência em Lisboa, no início da manhã, cinco anos após abandonar para sempre os palcos por conta de problemas cardíacos e respiratórios.
A notícia causou comoção nacional. Fãs renderam-lhe homenagem em toda parte. Por todo Portugal ecoou a melancolia das músicas gravadas por ela.Coimbra, Barco negro, Lisboa antiga, Ai Mouraria, Foi Deus e muitos outros sucessos tomaram conta das rádios e tvs.
Com a perda de uma de suas filhas mais ilustres, Portugal decretou luto.
Quem cantou o destino e a fatalidade a vida inteira, teve na sua própria trajetória motivos de sobra para acreditar neles. De origem humilde, Amália da Piedade Rebordão Rodrigues foi registrada no dia 23 de julho de 1920, mas muitas vezes revelou que nunca soube ao certo a data de seu nascimento. Era de Alcântara, freguesia de Lisboa, lugar popular, repleto de costumes e tradições folclóricas, fonte inspiradora que seria uma generosa contribuição à sua carreira. Começou cedo a ajudar a família. Foi vendedora de frutas no porto da capital, e cantou em tabernas antes de estrear, aos 19 anos, no Retiro da Severa, em 1939. Percorreu uma longa estrada até a conquista do reconhecimento internacional. A consagração aconteceu num espetáculo no Olympia de Paris, em 1957. Acusada de pactuar com o governo salazarista - época em que tinha enorme prestígio - sofreu perseguições da esquerda após a Revolução dos Cravos. Mesmo depois de subir ao palco e cantar em um de seus shows Grandola Vila Morena, considerada canção da Revolução, continuou alvo de acusações. Porém, agora dos dois lados: "Eu só cantei fados, nunca pensei em política".
Coube à força de sua interpretação superar essa mágoa. Seu último grande show foi em julho de 1988, em Lisboa, quando apresentou-se para 20 mil pessoas.
Saudades do Brasil em Portugal
Amália Rodrigues percorreu o mundo com seu fado. Ao todo foram 168 discos editados em mais de 27 países. No Brasil, esteve por várias vezes, sempre reverenciada. Gravou Amália e Vinicus, com Vinicius de Moraes e teve inúmeros sucessos regravados por nomes como Caetano Veloso, Chico Buarque e Maria Bethania. A proximidade com o público brasileiro decorreu, além da identidade cultural entre os dois países, de seu segundo casamento com o industrial brasileiro César Seabra.
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