segunda-feira, 22 de outubro de 2012

JB NA HISTÓRIA


22 de outubro de 1966: Começa o FIC - Festival Internacional da Canção

Jornal do Brasil: Domingo, 23 de outubro de 1966 - página 19

"Boa sorte, Maestro!". Assim, o apresentador Hilton Gomes comandava o início de cada apresentação do espetáculo musical mais concorrido da década de 60: o Festival Internacional da Canção Popular.

A história do FIC começou a ser escrita naquela noite de sábado, no Maracanãzinho, com "Guerra e Paz", na voz de Penha Maria. Outras 35 músicas foram interpretadas na primeira edição do festival, lançando o Rio de Janeiro no calendário febril dos festivais musicais, até então restrito a São Paulo: O que ficou de nós doisSaveirosCanto tristeO amor é chama,
Nana Caymmi. Gonzalez/CPDoc JB

Momentos do I FIC. Fotomontagem.



Reunindo uma geração de qualidade musical ímpar em composição e interpretação, exaltada, entre aplausos e vaias, por um público apaixonado e ávido por sua performance, coincidentemente ou não, essa foi sua fórmula de sucesso: Todos estavam lá, no momento certo.

O festival tinha duas etapas. Na primeira, a nacional, o vencedor era selecionado para representar o país na etapa seguinte, a internacional, onde sagrava-se o grande campeão. Em 1966, a vencedora da edição nacional foi"Saveiros", parceria de Dori Caymmi e Nélson Motta, na voz de Nana Caymmi. Mas, realizado em sete edições, de 1966 a 1972, o Brasil só conquistou duas grandes vitórias: "Sabiá" (Tom Jobim e Chico Buarque), interpretada por Cynara e Cybele, em 1968 no III FIC, e "Cantiga por Luciana" (Edmundo Souto e Paulinho Tapajós), na voz de Evinha, no ano seguinte. Transmitido pela tv para diversas partes do mundo, o FIC contribuiu com a projeção da MPB no cenário internacional.

Contextualizado num período político de repressão e censura, o festival consagrou, testemunhando o exercício da criatividade e da ousadia, um rico repertório de expressão musical. Mas a grande apresentação de todas as edições do festival aconteceu em 1968. "Prá não dizer que eu não falei das flores", uma ode à paz na interpretação do próprio compositor, Geraldo Vandré, reuniu todos os anseios de democracia e liberdade contra a ditadura vigente no país. O sucesso ficou em segundo lugar no festival. Mas foi imortalizado como o heróico hino de resistência popular.

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