10 de agosto de 2012: O centenário do Amado Jorge. Quando eu vim para esse mundo...

No vasto mundo criado por Jorge Amado tem sempre um quê de celebração à Bahia de Todos so Santos e à vida do povo: "A cidade da Bahia é uma das paixões da minha vida, uma grande paixão. Fui menino e adolescente solto nas ruas de Salvador, vivendo com grande intensidade a vida do povo, tanto da gente da terra quanto do mar".
Outras efemérides de 10 de agosto
1935: Está no ar a Rádio Jornal do Brasil
1964: Paulo VI publica sua primeira Encíclica
1974: Frei Tito, um atormentado até a morte
1995: Adeus ao mestre Florestan Fernandes, pai da sociologia brasileira
"Jorge nasceu empirilado, por isso sempre teve sorte", costumava dizer sua mãe, Dona Lalu, de quem herdou a imaginação fértil e criativa. Filho de um coronel de terras, Jorge Leal Amado de Faria nasceu numa fazenda do Distrito de Ferradas, na baiana Itabuna, no dia 10 de agosto de 1912, época em que a região era palco de grande luta entre coronéis pela posse das terras férteis do sul do estado, a terra do cacau.
Era criança ainda quando viu o pai cair ferido por uma bala e testemunhou uma seca arrazadora: sem oportunidade a família foi para Ilhéus onde passou a viver da confecção de tamancos. Foi em casa que aprendeu a ler. Mas para aprimorar os estudos foi mandado para ser interno num colégio jesuíta de Salvador. Vem daí a experiência fundamental e a descoberta de sua vocação. Jorge começa a trabalhar em jornais e liga-se a um grupo de intelectuais da literatura.

A vida política começaria anos mais tarde, com a ditadura de Getúlio Vargas. Militante da esquerda, foi preso diversas vezes: "...tínhamos que lutar contra o imperialismo norte-americano e o nazista, que ameaçava todo o mundo". Em 1937, o seu romance Capitães de Areia - a aventura dos meninos delinquentes nas ruas da Bahia - foi apreendido pela polícia e queimado em praça pública. A obra só voltaria às livrarias com o fim da Era de Vargas (1930-1945)
Mas os anos difíceis da militância logo teriam a grande compensação. Com a queda de Vargas e o final da guerra, Jorge, segue para São Paulo engajado na campanha pela libertação dos presos políticos. Caberia então ao destino o encontro entre o experiente líder comunista e a jovem intelectual Zélia. Diante de tantos interesses em comum, logo se descobriram também apaixonados, dando início a um relacionamento que perduraria para sempre. Daí em diante a história de um não poderia mais ser contada sem a história de outro.
Com Zélia que já tinha um filho, Jorge, que já fora casado, teve dois filhos: o baiano João Jorge e Paloma nascida em Praga, quando a família já tinha deixado o Brasil, por questões políticas. A experiência desta época proporciona uma intensa experiência cultural convivendo no meio intelectual europeu, por onde muito circulou, mas residiu a maior parte do tempo em Paris.
De volta ao Brasil, Jorge vive uma temporada no Rio, antes de mudar-se em definitivo para Salvador. É tempos da vida carioca que sua premiada, consagrada e aclamada produção literária, traduzida em incontáveis idiomas, ganha o reconhecimento da ABL. Jorge Amado é eleito imortal tornando-se o quinto ocupante da Cadeira 23.
Escritor instintivo, espontâneo, torrencial e romântico, ficcionista sem igual, de impressionante força poética, Jorge Amado é um dos maiores nomes da literatura do Brasil em todos os tempos. Contou suas histórias se identificando com as coisas da sua gente, e colocou em seus romances o cotidiano simples, os costumes, os dramas íntimos, curiosos sobretudo para o amor, para a brincadeira perigosa, e não menos divertida de vivê-lo. E deu alma a seus personagens, uma coleção de tipos - entre heroínas femininas (Gabriela, Dona Flor, Teresa Batista e Tieta), caricatos de críticas sociais (Quincas, Vadinho e Pedro Arcanjo) , que parecem estar muito além das páginas de seus livros, como velhos e próximos conhecidos da sua gente.
"Viva a vida com coragem e escreva sobre aquilo que você conhece através de um conhecimento vivido. Seja de seu tempo e de seu povo, mas evite a moda e a seita".
Jorge Amado morreu no dia 6 de agosto de 2001, na Bahia, às vésperas de completar 89 anos.
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