BASTA
O ELEITOR QUERER
Alberto
Rostand Lanverly
Membro
do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas e da Academia Maceioense de
Letras
Dificilmente o ser humano atinge seu
apogeu, sem se preparar para tal. Para conseguir um título de nível superior,
qualquer cidadão tem que estudar muito, e, até para ser artista do “show
business” ou da “bola”, não conseguirá arrancar aplausos dos circunstantes, sem
treinar muito e por longo tempo.
Mas, existe uma “profissão”, sobretudo
no Brasil, onde basta saber “assinar” o nome, para credenciar-se a postulante
de receber “o diploma” das mãos das autoridades. É a categoria dos políticos.
Por definição, “político” é o
individuo que representa um grupo social e que, com sua bagagem e conhecimento,
é capaz de influenciar a maneira como os destinos de uma geração é
administrada.
Apesar de, historicamente, ser
considerada uma profissão honrada, nos dias atuais, um grande número de
cidadãos tem opinião negativa a respeito dos políticos, “como classe”. Os
integrantes desta “casta” são vistos, salvo algumas exceções, como elementos
inescrupulosos, cujas promessas não são cumpridas, que, frequentemente, são
acusados de desvios de verbas para seu próprio interesse, e que, principalmente,
são donatários de uma “distorção de caráter” capaz de causar inveja aos
personagens descritos nas “linhas” produzidas por Maquiavel.
Talvez tudo isto ocorra, pela falta
de preparo de muitos dos que integram o “grupo”. Um médico, por exemplo, que
passar dois anos sem ler um livro científico, deixa de ser um discípulo de Hipócrates,
para ser um “açougueiro”; Um jogador que se afasta, por algum tempo, dos
treinos, jamais será escalado para a partida do domingo vindouro. Mas, o
político, não; Ele não precisa ler ou escrever, basta saber “articular”. Sabe
que, diariamente, não pode comprar menos que “cinquenta reais de pão”, para
alimentar o “séquito”, que o circunda, pago pelo erário público. Para buscá-lo,
tem que agir, e muitas vezes o faz “traquinando”.
Na outra extremidade da linha, está
o “eleitor”, cidadão comum, com o poder de voto e, acima de tudo, com a
capacidade de ser “formador de opinião”. Gente de todas as linhagens, pobre,
rica, branca, preta, letrada, ou não, mas que possui o arbítrio de vislumbrar
as negociatas surgidas desde as coligações, como a de Maluf e Lula, em São
Paulo, por exemplo, passando por líderes de outrora, que impõem familiares como
candidatos, visando perpetuar o poder que, explicitamente, lhe foge das mãos, até
chegar a políticos profissionais que teimam “querer continuar”, sem, em nenhum
momento, tentar modificar seus conceitos, comportamentos e atitudes.
Está aberta a temporada de caça ao
voto. Em breve, a história pode ser mudada para melhor, desde que o “eleitor”,
esta figura humana de todos os matizes, entenda que apesar de ser mais fácil
acreditar na mentira, que no inverso, pois, a verdade, nem sempre inspira
confiança, não é difícil descobrir os melhores, basta querer...
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