O governo do Chile eliminou a expressão "ditadura militar" dos textos escolares para se referir à gestão de Augusto Pinochet (1973-1990), substituindo o termo por "regime militar", segundo informou o novo ministro da Educação do país, Harald Beyer.
"Geralmente, é mais usada a expressão "regime militar"", alegou Beyer. Para ele, o conceito está mais de acordo com o resto do mundo.
A mudança, adotada em sessão extraordinária do Conselho Nacional de Educação, estipula que as crianças da primeira à sexta série aprendam que no Chile houve "regime militar" de 1973 a 1990.
A medida abre a possibilidade de mais uma polêmica na gestão de Sebastián Piñera. Ao se eleger, em 2010, Piñera tornou-se o primeiro presidente de centro-direita chileno após a ditadura de Pinochet -que deixou um total de mais de 3.000 mortos.
Em outubro do ano passado, para impedir uma marcha de estudantes secundaristas durante os protestos que tomaram conta do país, o presidente se valeu de um decreto da época de Pinochet que exigia aprovação prévia das manifestações pelo governo.
"PROCEDIMENTO"
O ministro da Educação disse reconhecer pessoalmente que o Chile esteve sob ditadura de 1973 a 1990, mas afirmou que a mudança de terminologia foi um "procedimento" com a participação de "muitos educadores".
Segundo o jornal digital chileno "El Dínamo", a proposta do governo prevê comparar "visões sobre a quebra da democracia no Chile, o regime militar e a recuperação da democracia no final do século 20, considerando diferentes pontos de vista".
(Publicado da Folha de S.Paulo, 5Jan2012)

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