terça-feira, 17 de janeiro de 2012

AILTON VILLANOVA É VENCEDOR DO 7º PRÊMIO ESPIA - NOTÁVEIS DA CULTURA ALAGOANA - CATEGORIA: LITERATURA - HUMOR




O nome dele jamais alguém soube. Era conhecido apenas pelo apelido: “Charuto”. Negro, grandalhão, era do tipo caladão. Todos os dias ele entrava no bar do galego Ezíquio, com o seu gatinho debaixo do braço. Ocupava sempre a mesma mesa e o dono da birosca, já habituado com a dupla, servia uma dose de cachaça para cada um, a do bichano num pires. Eles bebiam, Charuto pagava a conta e saíam dignamente.
      Certa noite, porém, o gatinho apareceu sem o dono e ficou com as patinhas apoiadas no balcão, soltando miados pidões. Galego Ezíquio não hesitou: passou-lhe o pires com a cachacinha de sempre. “Hoje, o dono deve ter tido um compromisso muito sério, ou está doente”, pensou o barista.
      O animal bebeu tranquilo a sua dose, soltou um miado educado e foi embora, de rabo levantado. Na noite seguinte, ele reapareceu, dessa vez acompanhado do dono, que fez questão de agradecer ao Ezíquio pela maneira gentil como atendeu o seu bichano. Este respondeu:
       - Ora, não foi nada, amigão.
      Aí, Charuto pegou uma caixa semelhante a uma daquelas de sapatos e pôs em cima do balcão:
         - Olha, nós gostaríamos que você aceitasse este pequeno presente...
         O dono do bar encabulou-se:
         - Mas não precisa isso, rapaz!
         - É uma lagosta. E está viva! – explicou Charuto.
         - Ah, muito obrigado! Vou guardá-la para o jantar.
         E o Charuto:
           - Ela já jantou, mas ficaria muito feliz se você a levasse ao cinema!

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