VIAGEM LÍRICA E SENTIMENTAL DO POETA LÊDO
IVO AO LITORAL
Texto: Carlito Lima
Luminosa manhã, azul, Luiz Carlos me
esperava, além de jornalista, historiador, é fotógrafo. Pouco antes das oito
horas acostamos no Hotel Ponta Verde. Vieram-me lembranças, anos 70, engenheiro
daquela obra eu chegava cedo para contemplar o mar esverdeado e o exuberante
coqueiral, prazeroso trabalho. O poeta Lêdo Ivo apareceu, acabou meu devaneio.
Partimos, os três velhinhos, rumo ao litoral norte das Alagoas. Atravessamos a
orla urbana, praia da Jatiúca, onde moram, o governador Téo Vilela, o senador Collor
e este imodesto escriba, o bairro mais chique da cidade. Logo depois, Cruz das
Almas, Jacarecica, A estrada paralela ao mar nos presenteia uma exuberante
vista, elegantes coqueiros, seus troncos não conseguem tapar o verde mar de
matizes azuis. Na praia de Guaxuma identificamos a casa de PC Farias envolvida
em mortes misteriosamente não resolvidas Em Ipioca subimos ao Alto, tirar fotos
no local onde um dia foi casa do Marechal Floriano Peixoto. Que bela vista!
Continuamos estrada a fora, conversas, muitas lembranças, casos bem humorados,
faziam a festa daqueles três senhores de vida bem rodada enquanto o carro
rodava no asfalto. Entramos para conhecer a nova ponte da Barra de Santo
Antônio, um paraíso dividido pelo Rio, casas de veraneio e de pescadores.
Retomamos a estrada cortando um canavial viçoso, fez lembrar o poema, Trem das
Alagoas, de Ascenso Ferreira. ”Adeus morena do cabelo cacheado... Vou danado
pra Catende... Com vontade de chegar... Cana caiana, cana roxa, cana fita,...
Cada qual é mais bonita... Todas boas de chupar...”
Na Usina Santo
Antônio seguimos rumo ao mar, região ondulada de difícil manejo do trator, a
cana é cortada à mão pelos cambiteiros. Atravessamos, sem pressa, pequenas
fazendas de gados brancos e búfalos pretos, até o Passo de Camaragibe, bucólica
cidade, berço de nascimento do mestre Aurélio Buarque de Holanda. Luiz Carlos
fotografou a casa onde morou o maior dicionarista da língua portuguesa. Por
cima de uma belíssima ponte, construção do governador Fernandes Lima em 1910,
atravessamos o Rio Camaragibe. Novamente entramos entre canaviais e coqueirais,
um imenso tapete verde, o verde de Lorca, “Verde que te quiero verde. Verde viento. Verdes ramas. El barco sobre el mar y el caballo en la montaña.”
Chegamos à bela Barra de
Camaragibe, o mestre Lêdo extasiado contempla cheio de emoção pequenas jangadas
de velas brancas sobre o mar. Continuamos nossa via, a estrada se tornou
minúscula entre enormes coqueiros velhos, centenários, altos, altivos como se
fossem sentinelas do mar. Até Porto de Pedras atravessamos oito povoados de
casario antigo, há mais de 30 anos o progresso é marcado apenas pelo mar de
antenas parabólicas nos baixos e velhos telhados. Marceneiro, Riacho, São Miguel dos Milagres,
cidade pequena, o mar, uma piscina, como todo litoral. É bom que se diga, o
banco de coral no mar entre Alagoas e Pernambuco é o segundo maior do mundo
perdendo apenas para o da Austrália. Em São Miguel dos Milagres o famoso
jornalista Sebastião Nery passa férias de fim de ano na casa de Maurício
Moreira. Segundo uma revista de turismo, a água daquele mar é a mais quente dos
mares brasileiros. Bom demais para amar dentro d’água!
Seguimos em frente, no povoado do Toque, o
Bugarelli construiu a pousada mais charmosa da região, Cacá Diégues não perde
dias de descanso naquele paraíso, proibido crianças. Mais adiante o povoado de Tatuamunha, terra
do tatu grande, no Rio um programa ambiental do peixe boi, incrível ver aqueles
enormes mamíferos nadando mansamente nas águas escuras. Alguns ricaços de São
Paulo encontraram aquele paraíso, há três anos organizam um réveillon
encantador, armam tendas, quatro dias de festa no meio do coqueiral,
Afinal chegamos a Porto de Pedras, visitando
o velho farol fixação sentimental de Lêdo Ivo, encontramos a simpatia de
Fernanda Borghetti, primeira dama do município. Almoçamos em companhia do
valoroso prefeito Júnior Boi Lambão. Empanturramo-nos de tanta fritada de
camarão, inesquecível como essa viagem do poeta Lêdo Ivo aos mares do Norte das
Alagoas.


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