segunda-feira, 14 de novembro de 2011

UM TEXTO DE RONALD MENDONÇA


MEDIOCRIDADE E EXCELÊNCIA

RONALD MENDONÇA
MÉDICO E MEMBRO DA AAL

Os defensores de cotas para ingresso nas universidades dizem que a lei corrige
um erro histórico de discriminação de 500 anos, nos quais negros, índios, mamelucos e
egressos das escolas públicas não tiveram acesso ao ensino superior.
A propósito, dias desses, fui instado a responder se alguma vez, nos 34 anos
de ensino, consegui distinguir na sala de aula aquele que havia sido beneficiário da
cota. De fato, nunca tive essa percepção, mas jamais desperdicei minha libido com tais
minudências. Até os que vinham de faculdades estrangeiras chinfrins, que, de súbito e
oblíquos, aterrissavam, nunca fiz-lhes distinção.
Tudo é relativo. Narro fatos com a Escola de Ciências Médicas, que, aliás, são
de farto saber: anos atrás, o bizú corria solto no vestibular daquela unidade. Sabia-se
até quem eram os agraciados. Daquelas turmas muitos se superaram, são conceituados,
nada lembrando a mácula do pecado original. Ou seja, para ser um bom profissional, o
vestibular pouco representa.
O chato dessas histórias de garotos e garotas que passam com o auxílio de
bizús ou sob a unção de cotas é a usurpação. É que no instante da avaliação, através do
instrumento legal (vestibular, Enem), havia pessoas mais competentes, que certamente
estudaram mais e mereciam a aprovação.
Imaginem quantos futuros bons médicos, engenheiros e advogados, desgostosos
com a injustiça, desviaram seus objetivos? Quem pode dizer que ali não se abrigavam
grandes talentos, novos Carlos Chagas, réplicas de Oppenheimer?
Admito estar algo contaminado pelo “furor gozandi” de parte do corpo docente
da FAMED, a Faculdade de Medicina da Ufal. É justo o orgulho: a instituição teria
conseguido o conceito máximo, no Enade.
Enade é a sigla de Exame Nacional de Desempenho de Estudantes. Polêmica
ferramenta, é uma prova de 40 questões versando sobre as matérias lecionadas no
curso. Historicamente boicotada pelos alunos, no ano de 2010, os de medicina da Ufal
resolveram encará-la com mais responsabilidade. Até pelo detalhe de não poderem
faltar sob pena de não colar grau.
O entusiasmo é maior por conta das baixas pontuações em edições anteriores.
Curso em discutíveis mudanças na grade curricular, alguém mais açodado pode achar
que com 3-4 anos já era possível se progredir da mediocridade para a excelência.
Calminha aí, com o andor, companheiro! Não vamos dar uma de Lula (nunca antes...).
Na verdade, independentemente de Enade, a FAMED sempre foi avaliada como uma
boa escola.

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