20 de outubro de 2011: Era Kadafi chega ao fim. Morre o mais longínquo ditador do mundo árabe

"Esperávamos havia muito tempo por este momento. Muammar Kadhafi foi morto". A notícia da morte do ex-líder da Líbia foi confirmada pelo primeiro-ministro do Conselho Nacional de Transição (CNT) líbio, Mahmoud Jibril, durante confronto pela tomada da cidade de Sirte - reduto das forças leais do ditador, nesta quinta-feira.
A disputa por Sirte era vista como o último entrave a ser superado para a tomada da Líbia. A cidade viveu nos últimos dias o recrudescimento dos combates. O confronto em Sirte se seguiu à queda da cidade de Beni Walid, outro reduto do antigo regime, para os soldados do CNT, na última semana.
Nascido em 7 de junho de 1942, em uma família nômade de meios modestos, Muammar Abu Minyar al-Gaddafi recebeu uma educação tardia levou a graduação Benghasi Academia Militar, terminou a sua formação com estudos de história e uma breve estadia na Inglaterra. Em 1969, liderou o golpe militar que derrubou a monarquia pró-Ocidente da Líbia, comandada pelo rei Idris I e tomou a liderança do país como chefe do Conselho Revolucionário. Acobertado pelo verniz nacionalista, três foram os principais motivadores do golpe: o petróleo, a presença de bases militares estrangeiras no país e o desejo de maior participação no pan-arabismo.
Entre as medidas imediatas, começa a confiscar os bens das comunidades italiana e judaica, nacionaliza empresas estrangeiras e impõe uma ditadura militar. Em 1977 passa ao cargo de secretário-geral do Congresso Geral do Povo 1977 e assume a presidência do presidente do país. Combinando nacionalismo extremado com radicalismo religioso, defende um socialismo islâmico. Partidário da união dos países de língua e civilização árabes, empreende uma política de intervenção, sobretudo nos países africanos. Em nome da causa palestina, patrocina ações terroristas no Oriente Médio e na Europa.
Nos anos 80, em plena reverberação do debate sobre a questão da Nicarágua e a disputa entre sandinistas e contra-revolucionários, trava uma queda de braço com os EUA pelo pertencimento do Golfo que culmina num confronto direto. A essa altura, Kadafi já é considerado o déspota do norte da África e um dos maiores padrinhos do terrorismo internacional. Apesar da derrota, Kadafi sai fortalecido, pelo fato do poderio militar americano ter se lançando-se num combate ao desamparo das leis internacionais e dos próprios estatutos das alianças militares.
Em 1991, os líbios são acusados do atentado a bomba que em 1988 explodira um jato da Pan American em Lockerbie, na Escócia, matando 270 pessoas. O Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) impõe embargo aéreo à Líbia. O embargo econômico, aliado à queda de preço do petróleo nos mercados internacionais, leva o país a deterioração econômica, aumentando o descontentamento popular. O país passa a sofrer uma série de conflitos internos. Em 1999, a ONU suspende as sanções.
Após a queda de Sirte, o último grande reduto das forças de Gaddafi, a impressa ligada ao CNT informou oficialmente a Al Jazeera a captura de Kadafi, com graves ferimentos que o levariam à morte.
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