sábado, 17 de setembro de 2011

UM TEXTO DE RONALD MENDONÇA


DO EXÍLIO
Ronald Mendonça
Médico


Com os netos, do meu exílio espiritual  na Flórida, tento acompanhar pela rede as novidades no Brasil,  em particular as de Alagoas. A carne é fraca: às vezes dou uma olhada nos shoppings, cérebro e coração do “decadente capitalismo selvagem”, que, segundo os entendidos,  está na UTI respirando artificialmente. Confesso a surpresa, não só ao ver esses sodalícios do consumismo em ebulição, como ao trafegar por suas imensas rodovias. Se tudo isso está prestes a acabar é uma pena. É um país muito organizado, talvez  algo monótono.
Monotonia é um termo que não se aplica ao nosso torrão de palmeiras e sabiás. O sucesso da II FLIMAR (Festa Literária de Marechal Deodoro) repercutiu, sem exageros, no mundo inteiro, deixando Alagoas no roteiro dos grandes eventos literários do país.  Também comemoro a prisão dos supostos matadores do vereador e professor da Ufal Luiz Ferreira. No mesmo viés, uma espécie de prévia condenação dos acusados pelo seu partido, o PT. O rito sumário   leva a crer que a sigla não convive bem com suspeitos de assassinatos, não obstante a aparente leniência com crimes de corrupção. Está aí a denúncia dos Taturanas da Assembleia e ninguém do PT é posto na geladeira.
No plano nacional, a imprensa golpista e hegemônica concentrou as baterias  numa humilde  doméstica que servia à família do ministro do Turismo e era paga com o dinheiro público. Uma bobagem ética que a maioria dos políticos com mandato pratica e nunca deu em nada. A “tesa” dos jornalistas é porque o sujeito era ministro da Dilma e indicação dos Sarney.
A propósito do uso da máquina pública em proveito pessoal, sob o título “Raízes da Violência Política em Alagoas”, foi divulgado   nesses dias texto do historiador Golbery Lessa. Trata-se de  um ensaio abrangente  aplicável ao Brasil inteiro. Quando GL diz, por exemplo, que os governantes alagoanos confundem patrimônio privado com o público, mesmo sem mirar, ele acerta na testa de Lula e seus apaniguados; de Sarney, Maluf, ACM, Roriz, Arruda, dentre tantos.
O remorso está me torturando. Semana passada, destaquei o acervo de Jorge de Lima, exposto na  sede da Academia Alagoana de Letras. Quis o destino que alguém  surrupiasse de lá uma bomba d’água, quem sabe pensando pertencer ao autor de Nega Fulô. A ação criminosa teria gerado clima de insegurança entre os acadêmicos. Certamente por isso, a  esperada eleição para preencher a vaga de D. Fernando Iório, marcada para a quarta, 14, tenha sido mais uma vez adiada.  




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