Arquiteto/Urbanista/Artista Plástico
SOB O LUAR DA BARRA
Minha estória com a Barra vem de longe.
E essa minha estreia na Folha da Barra traz recordações do início dos anos 70.Eu era adolescente.
Naquela época, a praia 'chique',da moda, era Paripueira, onde famílias da média e alta sociedade alagoana tinham residências de veraneio.
Ninguém falava em Barra de São Miguel.
Meu pai tinha um amigo, dr.Giseldo Lins, juiz de São Miguel dos Campos,que tinha uma casa de praia nessa tal de Barra e vivia convidando o coronel.
Ao visitá-lo num final de semana, ficamos todos apaixonados pelo local paradisíaco!
Ainda não havia casas à beira-mar e as que existiam eram, em sua maioria, muito simples (nada como hoje), antigas casas de pescadores que passavam, ou não, por uma melhoria.
O acesso era muito difícil, pois não existia a ponte Divaldo Suruagy. Tínhamos que ir por São Miguel dos Campos.
Passávamos por uma estrada no meio de uma linda mata atlântica de árvores altas,de vegetação tão fechada que, durante o inverno, criavam-se poças - verdadeiras lagoas - pelo caminho, impossíveis de secar por conta do sombreamento intenso. O trajeto que a gente faz hoje em 30 minutos de carro, levávamos naquele tempo umas duas horas.
Adorava acampar ali, na beira da praia, mais ou menos onde hoje fica o Village Hotel. Era um deserto! Mas não tínhamos medo, não existia essa violência de hoje em dia.
Pescávamos pirarobas e catávamos muitos maçunins, que eram cozidos na própria água do mar, ficando no ponto certo de sal.
Um dia, o então prefeito da Barra, capitão Carlito Lima - hoje escritor e Secretário de Cultura de Marechal Deodoro -, resolveu (já naquela época pensava nisso) criar uns eventos culturais, de forma a promover aquele isolado balneário quase selvagem.
Dentre os eventos, ele lançou um campeonato de escultura na areia.
E lá fui eu, que já gostava de desenhar, me aventurar no campo da escultura...Pense!
Vários "artistas" se apresentaram... Coisas interessantes...Mas, reconheço que apelei: fiz uma mulher bem boazuda. Nua. Cada peitão...E uma bunda que não tinha mais tamanho...Do jeito que o povo gosta! E usei sargaço pras partes íntimas... Quarenta anos atrás. Imaginem... Apesar de ousado,não deu outra. Sucesso total entre os jurados e o povo!
Levei uma taça e 100 cruzeiros (creio que essa era a moeda da época). Na verdade, o dinheiro não pude levar...O prefeito não deixou. Mas, entendam, não foi por conta dos argumentos atuais... É que o nosso querido "irmãozinho" Carlito alegou que não podia haver "evasão de divisas" do município, e que eu tinha que gastar o prêmio nas vendas ou mercearias da terra.
Pode?
Resultado: fomos todos pra um boteco e tomamos todas que a fortuna recebida pudesse pagar. Saí de lá do jeito que cheguei...LISO, mas feliz!
Tinha iniciado ali, na Barra, minha vida "artística" já com uma premiação.
Obrigado "irmãozinho" e obrigado Barra!



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