BEDEDOURO, A TRILOGIA
Ronald Mendonça
Médico
Célere, agosto, com sua temidas marés, encaminha-se para o seu terço final. Também irisam o mês grandes cataclismos na política, alguns funestos, outros nem tanto. Entre os funestos, o suicídio de um dos presidentes mais queridos do país: Getúlio Dornelles Vargas. Sua morte, em 24/08/54, provocaria um dia de suspensão das aulas. Para o menino que eu era, esse foi o dado “bom” da tragédia, se é que vocês me entendem.
O oitavo mês do ano também entraria para a história marcado pela extemporânea condecoração do sanguinário Guevara por Jânio Quadros e a renuncia do próprio Jânio, dias depois. Com tantos e sucessivos eventos escalafobéticos anos seguidos, agosto ficou estigmatizado como agourento.
Esqueço agosto e, mais uma vez, tento complementar artigos sobre um Bebedouro que eu e meu irmão Robson vasculhávamos. É que redigi dois textos e não mencionei os Espírito Santo com sua numerosa filharada. Por sinal, muitas famílias esmeravam-se na quantidade de filhos, a começar pela minha que gerou onze pimpolhos. Mas nada comparado aos treze do casal Juvenal/Rubenita, pais da amiga Jacione.
Nada escrevi sobre os Viana, cuja filha Edite doaria o terreno herdado para construção de um abrigo para idosos Luíza de Marillac. Nem sobre os irmãos Ademar e Aldo, atletas do Alexandria e Ferroviário. Parrudões, não obstante de uma mansidão bíblica. Do vereador e líder batista Nicanor Fidelis de Moura, do Zé Pinto, do Valverde e do Ciço Papagaio.
Além dos grupos escolares Alberto Torres e Rosalvo Ribeiro e do Asilo Bom Conselho, a escola de datilografia da professora Helena Pires marcaria época. Não foram poucos os jovens que tiveram sua vida modificada para melhor ao receber o diploma das mãos de Helena. Havia uma banca para a avaliação final, tendo como um dos membros ninguém menos que o lendário monsenhor Tobias. A escolinha de dona Margarida Bittencourt teve seus dias de glória. Outro gol de placa do ensino para os bebedourenses foi o Ginásio Santo Antonio.
Nem só de suspiros a Bonifácio Silveira se vivia. Relembro O Idealista, publicação dos anos 50 do século passado, impresso a duras penas no Orfanato São Domingos. Vale lembrar os principais colaboradores, expressões da emergente intelectualidade tais como Breno Mendonça, os irmãos Ari e José Alves, o poeta e futuro penalista Hamilton Carneiro, os também irmãos Hebel e Ari Ferreira, Jaime e Jorge Bezerra, o radialista Jorge Vilar, o médico José Lopes de Mendonça e o novel pároco Fernando Iório, dentre outros.

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