Na última sexta-feira, na boa e fraterna companhia do meu dileto amigo Cau, fizemos uma alentadora visita ao Museu dos Esportes que se alberga no majestático Estádio Rei Pelé. Palmilhando suas dependências, vivendo a intensa vida que ali se guarda e expõe, depois de quase três horas de viagem ao passado, fomos compelidos a entender e concluir que o tempo não corre na horizontal, em direção ao infinito, para se perder no nosso contido e acanhado horizonte; para evadir-se de nossas amoráveis lembranças… Mas, como pudemos sentir no ambiente daquela casa que abriga sonhos e sentimentos, o tempo corre na vertical ascendente, em direção ao céu, de cujas alturas tudo se pode ver e testemunhar, pois que, elevados, temos visão ampla e nítida, tal qual perscrutadores olhos de lince; uma apreciação do nosso passado esportivo, recente e remoto, descortinado em sua nudez impávida e autêntica, sem a afetação dos interesses passionais do clubismo. Alguns escolhidos conseguem, até, o privilégio de ver o futuro; como, dentre tantos outros, avulta Leonardo da Vinci…
O Museu dos Esportes, é imperativo o registro, não é fruto de geração espontânea, porém, proveito de abnegada devoção. O apóstolo que materializa esse culto à memória dos esportes alagoanos investe tempo de vida e recursos próprios, compromete boa parte de seus merecidos proventos da aposentadoria bancária, mantém-se imune ao estrelismo, à promoção pessoal. Trata-se de Lauthenay Perdigão, artífice desse museu esportivo, que faz dele seu apostolado do dia a dia, sem cultivar a avareza de guardar, para si, tão eloquente e amplo acervo; mas que o compartilha com todos nós, semeando cultura e preservando nossa memória esportiva.
Na verdade, o Lauthenay, enquanto devotado apóstolo e artífice competente dessa causa, é, também, expositor atento das relíquias que integram tão rico acervo. Todos os que para lá se dirigem têm nele um guia vigoroso e entusiasmado, que apresenta, informa e discute cada um dos bens que integram, sistematizadamente, o conjunto do patrimônio ali reverenciado. E o faz, sempre, com a mesma determinação de que se serve para manter vivo o museu, superando dificuldades e limitações, mercê de sua coragem heróica.
Seu credo de amor, oxigênio e sangue que nutrem o Museu dos Esportes, já deveria ter sido reconhecido e amparado; pois, não é crível que uma atividade educativa e cultural de tal porte seja desconhecida ou desdenhada pelo Poder Público.
Os que conhecemos seus talentos e a grandiosidade de sua iniciativa, não nos surpreendemos com tão inspirada abnegação. Ainda jovem, ele se fez noticiarista esportivo, “foca” de jornalismo esportivo; igualmente, sem qualquer contraprestação pecuniária, embalado pela paixão de servir, pelo prazer que o esporte lhe proporcionava. Passados mais de cinquenta anos, ele se mantém íntegro, idealista, convertendo-se, agora, em apóstolo dos esportes alagoanos, em síndico de sua memória.
O Estádio Rei Pelé acolhendo-o, através de contrato de comodato, em seu corpo arquitetônico, justifica as finalidades que lhe deram azo. O Museu dos Esportes, induvidosamente, tem alma. Ela se chama Lauthenay Perdigão.
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