sábado, 28 de maio de 2011
UM TEXTO DE RONALD MENDONÇA
Palocci, Kit Gay & Cidadania
Ronald Mendonça
Médico
A humilhação ronda o governo Dilma Rousseff. Quem primeiro mostrou as
manguinhas foi Ana Hollanda, facilitando a vida de parentes com o dinheiro público.
Há também, desde sempre, o trapalhão Edison Lobão, o lobo mau da energia.
Como numa epidemia, de uma só vez, apareceram o médico trotskista Antonio
Palocci e o “educador” Fernando Hadadd, ministro da Educação.
Reincidente, o ex-prefeito de Ribeirão Preto conseguiu driblar denúncias de
contubérnio com empresas do lixo. (Prefeitos adoram o lixo). Depois disso, ainda
ministro de Lula, foi acusado de habitualidade em homéricas surubas em uma mansão
brasiliense, fato que determinaria o estupro da conta bancária do dedo-duro, o caseiro
Francenildo. Desmoralizado em todas as frentes, foi defenestrado do cargo, embora
tenha dado a volta por cima conseguindo eleger-se deputado federal.
O cara não é fraco. Até então um pé-de-chinelo, em quatro anos AP construiu
invejável fortuna. Provando que comunista não faz voto de pobreza (nem de castidade)
multiplicou pães e peixes. Oficialmente a grana teria se originado de consultoria a
grandes firmas. Tudo bem. Palocci é sanitarista. Foi ministro da Fazenda. Entenderia
ele de economia o suficiente para ser tão regiamente pago? Ou valeu-se de tráfico de
influência - na Receita Federal, por exemplo- para facilitar a vida dos clientes?
Pintam outras origens: doações para a campanha de Dilma, lavadas na empresa
de consultoria, teriam ido parar nas contas bancárias do sanitarista. Ou então, a grana do
lixo finalmente enxaguada e desovada...
Fernando Haddad –como diria a Hebe- é uma gracinha. Nesse imbróglio do “kit
gay” e da gramática que odeia a gramática saiu-se pessimamente. Os companheiros
dos movimentos homossexuais não perdoaram sua tibieza e disseram com todas as
letras que ele havia “amarelado”. Enquanto amarelava, um seu assessor, ar debochado,
arrancando risos e gritinhos da plateia, assegurava que o ministério ficara três meses
discutindo o quanto a língua vasculha e traquina numa transa homo.
Pobre presidenta. Valetudinária, pálida e com olheiras, refém do PMDB e do
próprio partido – e até da “bancada evangélica” (Garotinho & Cia) – chantageada, para
salvar o seu ministro, foi impelida a vetar o uso do “kit gay”.
Fique triste não, seu Haddad. Não jogue fora seus videozinhos eróticos. Tem
muitas faculdades de medicina, Brasil afora, loucas para incluí-los na sua grade
curricular, como imprescindível equipamento para o curso de cidadania.
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