5 de maio de 1987 - Morre Tenório Cavalcanti, o homem da capa preta.

"Pistoleiro? Herói? Vilão? Demagogo? Populista? Divisionista? Revoltado? Vingador dos pobres e oprimidos? Tenório Cavalcanti leva para o túmulo todas as interrogações não totalmente esclarecidas pelos que se aventuraram a estudar sua vida e obra. Mas são justamente estas contradições que fazem de Tenório um dos mais ricos exemplos do faroeste - disfarçado ou exposto - que caracterizou parte da vida política brasileira". Jornal do Brasil
Ao som do Hino Nacional e vestido com a velha beca da formatura pela Faculdade Nacional de Direito, o ex-deputado Tenório Cavalcanti, 81 anos, foi sepultado em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O homem da capa preta e da lurdinha - sua arma portátil, que se vangloriava de ter 47 perfurações de bala, morreu de pneumonia no meio da madrugada.
Deputado federal em duas legislaturas, duas vezes candidato ao governo do estado no Rio,Tenório Cavalcanti teve a vida marcada pela violência nos anos 50 e 60 e tornou-se legenda e mito, principalmente para a população humilde de Caxias.
Quem foi ao enterro de Tenório sentiu que é duvidoso garantir que ele tenha deixado realmente uma herança política. Homens com a sua característica - e os métodos arriscados e nada convencionais que escolheu para fazer carreira - não costumam deixar herdeiros. Carismáticos, estes personagens são cada vez mais raros. Tenório, misto de anjo e de demônio, não podia fugir à regra
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