quarta-feira, 6 de abril de 2011

JB ONLINE - DIA 6 DE ABRIL NA HISTÓRIA

6 de abril de 1992 — Fujimori dá golpe no Peru

Jornal do Brasil

O presidente do Peru Alberto Fujimori dissolveu o Congresso, impôs censura à imprensa, prendeu líderes políticos, suspendeu artigos da Constituição e instituiu uma ditadura com o apoio das Forças Armadas. O Congresso e o Palácio da Justiça (sede do Judiciário) amanheceram cercados por tanques e tropas do Exército.

O jornal La Republica saiu com as duas primeiras páginas praticamente em branco. O jornal El Comercio publicou em suas páginas. O jornalista Gustavo Gorriti, correspondente do Jornal El Pais, foi preso. No discurso transmitido pelo rádio e pela a TV, Fujimori disse que o país não poderia continuar a ser enfraquecido pelo terrorismo, pelo tráfico de drogas e pela corrupção. As Forças Armadas divulgaram um comunicado apoiando a ação do presidente.

A economia peruana enfrentava um séria crise, com hiperinflação e 90% da população desempregada ou subempregada. O salário mínimo de 30 dólares não pagava nem 10% da desta básica. O Sendero Luminoso, guerrilha de orientação maoísta apelidada de Khmer latino, como alusão ao Khmer vermelho do Camboja, havia matado em 12 anos cerca de 25 mil pessoas.

O escritor Vargas Llosa, derrotado por Fujimori nas eleições presidenciais, pediu à comunidade internacional que rompesse relações com o seu país, como represália ao fechamento do Congresso.

O antecessor de Fujimori, Alan García teve de fugir do país para escapar da prisão.
Depois de deixar a presidência em 2000, em meio a acusações de violações de direitos humanos e corrupção, Fujimori pediu asilo ao Japão. Este ano, voltou ao Peru para ser julgado pelo massacre de 25 pessoas e pelo sequestro de dois opositores.

Violações aos direitos humanos

Fujimori contou com a colaboração do general Nicolás Hermoza Ríos e de Vladimiro Montesinos, que chefiou a polícia política Colina. Em 1996, o drama dos 490 reféns, que a guerrilha Tupac-Amaru manteve em seu poder por vários meses na embaixada japonesa, desencadeou uma crise política da qual Fujimori saiu fortalecido.

Os guerrilheiros exigiam a libertação dos seus companheiros e protestavam contra as péssimas condições em que a população vivia. Fujimori ordenou a execução de 14 membros da Tupac-Amaru e libertou os reféns.

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