Aproximações (2)
MAR DE MARECHAL
O MAR DE OLINDAMarechal e Olinda, afastadas na distância, se aproximam na paisagem. Paisagem que requer tempo do contemplador para que contemplador e paisagem se apaixonem.
Disse Joaquim Nabuco, abolicionista pernambucano, no Jornal O Paiz, em 30 de novembro de 1887:
“Para conhecer uma paisagem não basta vê-la, é preciso muito mais, é preciso que as duas almas, a do contemplador e a do lugar, cheguem a entender-se, quantas vezes elas nem mesmo se falam! Não é a todos que a natureza conta os seus segredos e inspira o seu amor, mas mesmo com os poucos de quem ela tem prazer em fazer pulsar o coração é preciso que eles se aproximem dela sem
pressa de a deixar, com tempo para ouvi-la. Os viajantes nunca estão nessa disposição de espírito em que é possível estabelecer-se o magnetismo da paisagem sobre os sentidos, de fato sobre o
coração.”
Do alto, Marechal olha a paisagem é exuberante, a natureza esbanja beleza, colírio para os olhos, alimento para alma. Vê-se a Lagoa Manguaba, também conhecida como a Lagoa do Sul, inspiração para o primeiro nome da cidade Santa Maria Magdalena da Lagoa do Sul. A esta junta-se a Lagoa Mundaú, que em tupi quer dizer “lagoa grande”, vinda do norte, da cidade de Maceió.
O rio Mundaú se encarrega de ligar Pernambuco a Alagoas, nascendo na cidade de Garanhuns (PE) e desembocando na Lagoa Mundaú (AL). É rio que corre como sangue nas veias fazendo pulsar a cultura comum aos dois estados.
As Lagoas Manguaba e Mundaú interligam-se por um belo e raro espetáculo geográfico natural formando uma grande rede de canais que originam pequenas ilhas até desembocar no destino, o mar de águas verdes e mornas de Marechal, proporcionando um ambiente natural repleto de peixes, crustáceos e moluscos, cercado de vasto manguezal.
O mar verde de Marechal recebe as águas das Lagoas Manguaba e Mundaú. É o copo de mar a que se refere o poeta alagoano Jorge de Lima em Invenção de Orfeu:
“Há sempre um copo de mar para um homem navegar.”
De sua elevação, Olinda abraça a paisagem, história escrita nas ruas e no mar azul do Atlântico.
Impossível não se apaixonar por essas águas salpicadas de dourado e sol, durante o dia, e de prateado, nas noites de lua.
Entre coqueiros, escorre a cidade que desemboca no mar. É Olinda, pintura de tons tropicais, contando a sua história.
A água é o elemento da natureza que aproxima Marechal e Olinda nas semelhanças da paisagem. Não uma água qualquer. Mas, as águas que banham e encantam seus filhos e no vai e vem da maré lavam os corações dos visitantes que se entendem com elas
mesmo que, para isso, seja suficiente só ouvir. Para entendê-las, é preciso apenas se deixar molhar pelas águas de Marechal e de Olinda, verdes, azuis, eternas.
. Conceição Ferraz


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