segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

UM TEXTO DE RONALD MENDONÇA

INCRÍVEL CARTA DE UM INDIGNADO
RONALD MENDONÇA
MÉDICO E ESCRITOR

Quer me parecer que foi na década de 70 do findo século que as empresas
multinacionais de saúde começaram a ver no Brasil um mercado promissor. Certamente
por isso, jornais e empresas de televisão começaram a repercutir fortemente notícias do
mau funcionamento do sistema de saúde pública vigente.
De fato, poucos eram os dias em que não aparecia uma denúncia de falhas no
atendimento, braços e pernas encanados de forma equivocada, moribundos arquejantes
recusados nas portas de hospitais, quando não, crianças nascendo em plena via pública.
Um desmantelo dos diabos.
Nesse ínterim, floresceriam no País os chamados “Planos de Saúde” privados,
justamente para ocupar o espaço que a medicina pública não cobria. A verba curta,
a improvisação gerencial, a ingerência partidária, a incompetência, a roubalheira, os
desvios no erário, ou tudo isso junto, a grande verdade é que o, hoje, SUS é caótico.
Quanto aos Planos de Saúde, repito, criados para garantir um bom atendimento médico,
não passam de armadilhas, simulacros. A propósito, transcrevo parte de inacreditável
e-mail de um neurocirurgião de São Paulo, Dr. Carlos Brandão, que talvez retrate o
modus operandi dessas arapucas:
“No fim de semana de 22 e 23 de janeiro, vivi mais um abuso de plano de saúde,
perpetrado não contra mim, mas contra uma garotinha de 20 dias”.
“Nasceu em um hospital da capital, e depois de 20 dias, o perímetro cefálico havia
aumentado 10 cm!!! Enviada ao meu consultório às 16:30hs do dia 21 de janeiro último,
e com plano de saúde para vencer no dia seguinte”.
“Recém-nascidos têm 30 dias para serem incluídos no plano, e a mãe ainda não o fizera.
O convênio, Porto Seguro, NEGOU A GUIA DE INTERNAÇÃO (atrás do convênio
e respondendo por ele existe um MÉDICO, que negou a internação). Durante toda a
madrugada os familiares, na recepção do hospital, tentando internar a paciente, o que só
foi possível quando a madrinha concordou em interná-la, PARTICULAR”.
“ÀS 2:00 DA MANHÃ, depois de muita conversa, O CONVÊNIO concorda em ceder
vaga no Hospital Sabará (outro hospital). Mas, os familiares querem que eu a opere,
não conhecem o médico que vai atendê-la e nem se ele o fará logo pela manhã de
sábado. Fica internada particular. A criança tem que ficar umas horas em jejum, fazer
pré-operatórios. Finalmente operada, agora está bem. Ninguém jamais saberá quais os
danos adicionais por esta demora de mais de 14 horas, em regime de franca hipertensão
intracraniana”.
“E quanto mais ainda os pais terão que gastar com psicólogas, fonoaudiólogas,
terapeutas ocupacionais, tempo, etc. Porque? Porque um AUDITOR RESOLVEU
DEFENDER O "SEU”. (AUDITORES GANHAM BONUS POR PROCEDIMENTOS
NEGADOS!!!!!)”.

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