E se o BBB desse uma inovada? Perguntou Manuela
Ouvindo dona Manu podemos acreditar que nem tudo está perdido, o BBB, por incrível que pareça, ainda tem salvação.
A televisão brasileira tem uma missão que vai além de informar e entreter. Educar deve fazer, obrigatoriamente, parte da sua grade. Esse é o veículo de comunicação mais acessível a todas as camadas da sociedade.
Ciente dessa missão, fica fácil imaginar que a televisão poderia destinar parte do seu horário nobre a esta tarefa, a começar por inovar o BBB cujo formato atual presta enorme desserviço ao ser humano, mais especificamente, a uma geração em formação.
Até aqui, o que fazem jovens, de todas as tribos, por três meses confinados em uma casa luxuosa?
Acordam às 9:30 horas ao som de música e buzina, ressalte-se aqui que a música é de gosto duvidoso, ressacados da noite anterior onde beberam desbragadamente, fumaram e praticaram toda sorte de apelo sexual. Mas, poderíamos assistir, enquanto escovam os dentes, algum comentar sobre um sentimento mínimo que fosse de uma culpa moral pelo mal exemplo praticado e apresentado em rede nacional. Fica só na esperança porque os confinados não sabem o que é isso.
Seguem o dia entre futilidades, intrigas, comidas, piscina e ofensas com palavras de baixo calão. Nessa edição, o nível ficou tão baixo que obrigou o apresentador a puxar a orelha de um dos participantes.
A produção do programa se esforça e muito para manter e proporcionar esses momentos lamentáveis de jovens alienados que fazem qualquer coisa por dinheiro.
Estamos assim, assistindo à surrealista 11ª edição e, infelizmente, os jovens espectadores continuam atraídos e vibrando com os personagens desse bizarro espetáculo.
O cansaço do apresentador com o que é obrigado a ver e apresentar fica evidente quando constrói seus textos para convocar o eliminado da semana. Nas primeiras edições o pobre Bial elaborava textos com citações de filósofos famosos, trocadilhos com a literatura universal além de utilizar-se de parábolas e fábulas para revelar dicas aos jogadores. A experiência, logo, logo, fez ele perceber que era inútil continuar nessa direção, do outro lado da telinha, nesse caso dentro da telinha, há pessoas literalmente incapazes de compreender.
Inovar é preciso. E por que não uma inovação no conceito do BBB?
Poderiam selecionar jovens com conteúdo, identidade e cultura. Para começar, aptos a manter um diálogo em suas horas de lazer, conhecedores da sua cultura local e regional. A disputa da comida poderia ser um rodízio de pizza temático, o programa proporia o mote e os participantes iriam argumentar ou comentar o que sabiam sobre o assunto.
A liderança seria disputada por jogos de inteligência e não por músculos ou beleza. Estimular a prática de esportes, com torneios, no lugar das festas (orgias) que fazem apologia ao uso indiscriminado de álcool o que nos conduz à lastimável visão da degradação do ser humano.
O monstro do anjo ao invés de submeter os participantes ao ridículo, poderia obrigá-los a ler, estudar sobre a preservação ambiental, por exemplo, e na sequência repassar ao grande grupo o que aprendeu.
Enfim, o BBB inovado teria mais patrocinadores interessados em vincular suas marcas ao programa, o povo ganharia enormemente em educação, cultura, conhecimento e informação. Os participantes não ficariam tão entediados e fariam realmente por onde merecer o big prêmio além, é claro, de orgulhar seus pais, parentes e amigos. A produção e o apresentador não ficariam tão constrangidos em produzir e apresentar tanta bobagem. Todos ganhariam.
Dona Manu tem mesmo razão, está na hora de inovar. O Brasil cresce economicamente é fato porém, é preciso agregar cultura e educação a seu povo para que possamos usufruir e dar sustentabilidade a esse desenvolvimento. Quem não sabe de onde veio, sabe menos ainda aonde que chegar.
* Professora Faculdade Santa Maria

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