1983 - O fim solitário de Mané Garrincha

"Se há um deus
que regula o futebol,
esse deus
é, sobretudo,
irônico e farsante,
e Garrincha
foi um de seus delegados
incumbidos de zombar
de tudo e de todos,
nos estádios."
Carlos Drummond de Andrade
que regula o futebol,
esse deus
é, sobretudo,
irônico e farsante,
e Garrincha
foi um de seus delegados
incumbidos de zombar
de tudo e de todos,
nos estádios."
Carlos Drummond de Andrade
Assista aqui a versão em vídeo.
Apenas um esparadrapo com o nome Manoel da Silva identificava o corpo de Garrincha, 49 anos, na Casa de Saúde Dr. Eiras, onde foi hóspede habitual desde o agravamento de seus problemas com o alcoolismo e morreu no início da manhã vítima de um edema pulmonar. Velado no saguão do estádio Maracanã, foi enterrado no dia seguinte na cidade de Pau Grande, no interior do Rio, de onde saiu para driblar o mundo.
Esse foi o fim solitário de Mané Garrincha, aquele que foi um dos maiores craques do futebol em todos os tempos, herói de duas Copas (1958 e 1962), e conquistou o sucesso desorientando os adversários com os seus lances geniais. Um anjo de pernas tortas, que conduziu com seus pés o melhor de uma das maiores paixões do povo brasileiro: o futebol. Um ídolo que encantou multidões, mas ficou esquecido quando precisou de ajuda e não teve forças para se ajudar.
Ao mundo restou a penitência pelo abandono: os gramados jamais voltariam a ser palco para o espetacular futebol da estrela Mané Garrincha.
Da glória ao anonimato doloroso
"O Garrincha precisa de um trabalho de reencontro consigo mesmo e de saber que há gente interessada em seu bem-estar. Ele é, na verdade, muito imaturo e sofre quando as pessoas se aproveitam dele". A frase, dita pela psicóloga Tânia Barreto em 1977, com poucas variações repetiu-se centenas de vezes desde o começo da decadência do craque no final dos anos 60. E acentuou-se a partir de 1973, depois que Garrincha se despediu oficialmente dos campos de futebol em um amistoso no Maracanã numa queda gradativa até o dia de sua morte.
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