quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Quadro de medalhas dos Jogos Pan-Americanos 2019

Todos os vencedores da competição que acontece em Lima

  1. POS
    PAÍS
    OURO
    PRATA
    BRONZE
    TOTAL
  2. 1
    Estados Unidos
    71
    56
    50
    177
  3. 2
    Brasil
    31
    25
    44
    100
  4. 3
    México
    26
    22
    40
    88
  5. 4
    Canadá
    25
    41
    38
    104
  6. 5
    Cuba
    18
    13
    17
    48
  7. 6
    Argentina
    17
    20
    18
    55
  8. 7
    Colômbia
    17
    13
    20
    50
  9. 8
    Peru
    7
    6
    10
    23
  10. 9
    Chile
    5
    9
    9
    23
  11. 10
    Equador
    5
    6
    8
    19
  12. 11
    Porto Rico
    5
    2
    7
    14
  13. 12
    Rep. Dominicana
    4
    7
    10
    21
  14. 13
    Venezuela
    4
    6
    8
    18
  15. 14
    Jamaica
    3
    3
    2
    8
  16. 15
    Trinidad e Tobago
    2
    3
    1
    6
  17. 16
    Guatemala
    1
    5
    4
    10
  18. 17
    Ilhas Virgens Britânicas
    1
    0
    0
    1
  19. 18
    Bolívia
    0
    2
    1
    3
  20. 19
    Uruguai
    0
    1
    3
    4
  21. 20
    Paraguai
    0
    1
    1
    2
  22. 21
    Granada
    0
    1
    0
    1
  23. 22
    Nicarágua
    0
    0
    3
    3
  24. 23
    Antígua e Barbuda
    0
    0
    2
    2
  25. 24
    Costa Rica
    0
    0
    2
    2
  26. 25
    El Salvador
    0
    0
    1
    1
  27. 26
    Honduras
    0
    0
    1
    1
  28. 27
    Panamá
    0
    0
    1
    1



SPONHOLZ


CARLOS BRICKMANN

CHUMBO GORDO


VAGALUMES NAS TREVAS

Sim, é difícil aguentar um presidente que ataca mortos para atingir os parentes vivos, é difícil aguentar um presidente que nega ter havido ditadura no Brasil, é difícil aguentar um presidente que nomeia o próprio filho. é difícil aguentar um país com mais de 12 milhões de desempregados.
Mas as trevas não são absolutas: há estrelas, há vagalumes, há réstias de luz – e não podemos ignorar o que há de bom, porque indicam melhores dias. A venda de veículos aumentou 12,1% no primeiro semestre, embora, em boa parte devido à crise argentina, as exportações do setor tenham caído. Uma inovação tecnológica importante passou despercebida: a usina flutuante de energia solar, a primeira do país, inaugurada em Sobradinho, na Bahia. Isto muda a vida de toda a região, com energia não-poluente e bem mais barata. A taxa de juros Selic é a mais baixa da história (e a tendência é de queda). O crescimento deste ano, tudo indica, deve ser minúsculo, inferior a 1%; mas houve pequena redução no desemprego, nada que alivie a crise mas que, pelo menos, reverte a tendência dos últimos anos de aumento da desocupação.
Só economia? Não: também há um ou outro raio de luz no comportamento do presidente. Continua adorando conflitos, mas disse, em ótima entrevista ao Estadão, que se não gostar de uma decisão do Supremo terá de aceitá-la, democraticamente. A relação com o Congresso “continua com muito amor e carinho”. Não toca em ruptura das instituições. É pouco, ainda. Mas é bom.
É o que é
Mas Bolsonaro, não esqueçamos, é Bolsonaro, e Bolsonaro continuará sendo. Nesta mesma entrevista, acusa “governadores do Nordeste” de querer a divisão do país. Já ele, Bolsonaro, trabalharia pela união. Pois é, por que não? E certamente busca a união com o inestimável apoio de Carluxo, o filho 02, sempre adepto da conciliação, e do polemista Olavo de Carvalho, que insulta com palavrões, em público, os recalcitrantes que relutam em aderir pacificamente a essa patriótica união.
Seja o que for
Por que governadores do Nordeste desejariam dividir o Brasil? Vários foram eleitos pelo PT ou partidos aliados, talkey? E ficaram chateados, também, quando o presidente os chamou de “governadores de paraíbas”. Na verdade, foi uma escorregada verbal do presidente, em conversa privada, mas que falou, falou, ao criticar Flávio Dino, o governador do Maranhão, a quem considera o pior deles. Dino não é do PT, é do PCdoB, mas isso não faz grande diferença. De qualquer forma, é uma maneira interessante de iniciar um diálogo para unir o país. A propósito, Bolsonaro não parece pensar em divisão geográfica, de criar uma nação nordestina independente. Pensa, sim, numa divisão ideológica, “mortadelas x coxinhas”, “nós contra eles” – no estilo Lula, Dilma e, sem a menor dúvida, do próprio Jair Bolsonaro.
Perdido no espaço
Foram duas declarações, praticamente ao mesmo tempo: na Câmara, o ministro-astronauta Marcos Pontes, a quem os Correios estão teoricamente subordinados, garantiu que não há nenhum procedimento de desestatização ou privatização. E, em outro local, o presidente Bolsonaro garantiu que os Correios serão privatizados, sim. Pontes despertava esperanças de um bom desempenho, mas até agora não deslanchou. Como comprovou no caso dos Correios, em termos de entender o Governo está vivendo no mundo da Lua.
Ao pó votarás
Estudo da Universidade de Brasília (Epidemiologia do Esgoto) informa que a Capital Federal consome algo como oito toneladas mensais de cocaína. O estudo está em poder do ministro Osmar Terra, duro opositor da liberação de drogas. E como se chegou a essa conclusão? Colhendo esgoto em oito pontos diferentes da cidade e buscando os resíduos do pó. Esse resultado põe Brasília bem alto no ranking: consome seis vezes a quantidade de Milão e 22 vezes a de Chicago. Este colunista não entende nada do assunto, talvez esteja perguntando bobagem, mas será que isso não explica alguma coisa?
Banho de sangue
Bolsonaro sugere um projeto de lei que crie o “excludente de ilicitude” – quer dizer, que livre de processo os agentes de segurança que matarem durante operações. Palavras do presidente: “Vão morrer na rua igual barata”. O projeto deve beneficiar também o pessoal das Forças Armadas que atuar em “operações de garantia da lei e da ordem”. Essa proposta está no pacote anticrime proposto pelo ministro Sérgio Moro, mas enfrenta resistências no Congresso – já que abre caminho para casos como o da Rota 66 ou, até, de retorno ao Esquadrão da Morte. Basta matar e arrumar o cenário.
Até amanhã
Bom livro, de bom escritor, lançado num belo lugar: A Mega, de Alex Solomon, contos sobre o Absurdistão. Dia 8, a. Higienópólis, 18, SP.

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

QUEM PODE AJUDAR?????


AS MENINAS DA SEMED, A ALMA DA FESTA LITERÁRIA DE FERNÃO VELHO.


J R GUZZO

ELES NÃO

Digamos, só para fazer um teste de imaginação, que você está na lista de políticos comprados pela Odebrecht durante os governos dos ex-presidentes Lula e Dilma. Você tem até um apelido inscrito no computador que relaciona, nome por nome, cada indivíduo adquirido pela empreiteira no seu departamento de corrupção — o “Departamento de Operações Estruturadas”, conforme a própria empresa confessou na Justiça. Até agora, o público, a polícia e a Justiça não sabem com certeza o nome verdadeiro, o CPF e o endereço de cada codinome guardado no arquivo da Odebrecht. “Urso Branco”? “Raposa Vermelha”? “Águia de Haia”? Quem serão esses caras? Só existe um problema: você sabe se é você. Aí complica. O promotor da Lava Jato pode não saber ainda, mas, se você sabe, a sua vida fica o tempo todo debaixo de uma nuvem negra, que a qualquer momento pode fazer um camburão da Federal lhe aparecer às 6 da manhã na porta de casa.
Não é fácil viver desse jeito, sobretudo porque nada tem dado certo para quem precisa sumir com o problema. A última tentativa de “anular tudo” teve um fim triste: o que seria uma bomba atômica capaz de destruir a Lava Jato acabou se revelando um golpe envenenado por escroques de terceira categoria e incapaz de alterar um único milímetro das decisões já tomadas pela Justiça. O fato é que o corrupto anda realmente com medo, pela primeira vez na vida, de ser preso; por que não, se gente muito mais poderosa que ele está hoje no xadrez? Não se trata só da turma da Odebrecht. É incômodo, também, aparecer entre os 30% ou 40% congressistas que estão envolvidos em denúncias criminais de todos os tipos; suas “imunidades” talvez não durem para sempre. Pode ter um problemaço, é claro, quem participou dos governos Lula e Dilma. Você esteve metido com obra para a Olimpíada do Rio de Janeiro? Ou para uma das doze sedes da Copa do Mundo de 2014? Teve negócios com a Petrobras? Com fundos de pensão de estatais? Tratou alguma coisa com Sérgio Cabral? Fez ou financiou obras em Angola, Venezuela e outros lugares que têm a mesma reputação de países fora-da-lei? Vai pondo.
É fácil juntar dois mais dois e ver que estamos falando de uma multidão — talvez vários milhares de pessoas. Como resolver uma situação que não tem precedentes? E quando, enfim, isso vai acabar? Será que vai ficar desse jeito pelo resto da vida? A complicação não é apenas com o futuro — há as intragáveis questões do presente. Não apenas o indivíduo está com dificuldades cada vez maiores para meter a mão — não sabe mais, nem mesmo, onde guardar o dinheiro roubado, ou como gastar o que roubou. Ter mala de dinheiro em casa não vem dando bons resultados, como se pode ver pelos infortúnios de colossos tipo Geddel Vieira Lima, Paulo Preto ou Rodrigo Loures. Os bancos exigem o diabo para aceitar depósitos em dinheiro. Há essa bendita COAF, seja lá no ministério em que estiver — implicam com qualquer dinheirinho que o cidadão queria depositar, retirar, transferir. Também não dá para esconder em conta no exterior. Acabou o sigilo bancário no mundo e hoje qualquer depósito é denunciado pelos próprios bancos a promotores, agentes fiscais, a Interpol. Ninguém mais aceita pagamento com dinheiro vivo; dá para pagar uma pizza, mas não dá para comprar uma SUV. O dinheiro pode simplesmente estragar — a umidade, por exemplo, é uma dor de cabeça. Aquilo que o sujeito roubou antes corre o risco permanente de ser bloqueado. Enfim: é um inferno.
Muito bem, então: se o ladrão está enrolado com o que já fez, o que se pode esperar que ele faça agora? A única coisa que dá para dizer sobre isso é a seguinte: não acredite que existe um plano de salvação, porque não há plano nenhum. Dá para saber, apenas, o que não é possível. As coisas que um Antônio Palocci está dizendo, por exemplo, não podem desaparecer dos autos — e um dia vai ser preciso lidar com elas. E esse Paulo Preto? Vai delatar? Não vai? Ninguém sabe. Não dá para sumir com as dezenas de processos que estão assando no forno; pode ser a fogo lento, mas sumir eles não somem. Uma anistia geral? Nem o ministro Gilmar Mendes parece animado a vir com um negócio desses. É impossível, enfim, salvar todo o mundo; há gente, sim, que vai para o matadouro. O que se tenta é encontrar alguma solução “média”, ou algo assim — o que vier é lucro. O que ninguém quer é ficar sentado fazendo novena para a desgraça não vir, enquanto cardumes de advogados comem o sujeito vivo para cuidar dos seus casos.
O fato é que você, que não fez nada, dorme em paz. Eles não.

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

CHARGE DO SPONOLZ


CHARGE DO SPONHOLZ.


O TREM DA MÍRIAN MONTE

O trem (Mírian Monte)
O trem passou...

Nele, a gente embarcou
E, por alguns momentos, 
Nós fomos felizes
E parceiros de uma viagem linda!
Eu o sinto ao meu lado, ainda,
Mas você precisou descer,
Ficou na primeira estação.
Seguirei minha viagem
Você seguirá a sua, então.
Só o tempo vai nos dizer
Se vamos nos perder
Se vamos nos reencontrar
Se é certo, ou errado,
Se é sim, se é não...
E se o amor veio para ficar
Ou se foi chuva de verão.

Registros lindos de um dia dedicado à arte, especialmente a literária! Carlito Lima, a Festa Literária de Fernão Velho está sendo um sucesso!! José Inácio Vieira de Melo, foi uma honra estar ao seu lado em poesia!

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

1ª FESTA LITERÁRIA DE FRERNÃO VELHO



PROGRAMAÇÃO

DIA 1º DE AGOSTO ( QUINTA FEIRA)
8:35 – Trem Literário saído de Maceió, com poesia, música e livros.
9:15 – MESA 1: “Fernão Velho; Fábrica Carmen – Legado histórico dos Operários” – Historiador Geraldo Majella.
10:00 – MESA 2: “Manifesto Sururu” – Edson Bezerra
10:45 – MESA 3 : “O Teatro e a Paz” – Ator Licurgo Spínola
14:00 – MESA 4 – “Conhecendo Bibliotecas” - Janaína Tenório e equipe da SEMED.
14:40:- MESA 5  “Mediação de Conflitos” – Maristela Pozitano
15:30 – APRESENTAÇÕES CULTURAIS DE ALUNOS ( SEMED)
19:00 – ABERTURA DA 1ª FLIFEV pelo Prefeito Rui Palmeira -    
Homenagem ao Dr. José Fernandes de Lima
19:30 – Concerto: Banda do Exército Brasileiro
20:30 – Show:  “Coco de Roda” de Fernão Velho

DIA 2 DE AGOST0 (SEXTA-FEIRA)
8:35 – Trem Literário saída de Maceió, com poesia, música e livros.
9:00 – MESA 6: “A Literatura e os Idosos” – Francisco Silvestre
9:40 –MESA 7 :  “Problemas Ambientais”- Virgínia Miller
10:10- MESA 8 – “Poema de Fernão Velho e outras poesias” – Mírian Monte e José Inácio Vieira de Melo.
11:00 –MESA 9 – “Fernão Velho e Bebedouro” -  Ronald Mendonça
14:00 – MESA 10: – “ENTREVISTA, AO VIVO, COM O DOUTOR JOSÉ FERNANDES DE LIMA ( HOMENAGEADO DA 1ª FLIFEV)”-  Eliane de Aquino – Carlito Lima – Ana Dayse- Geraldo Majella.
15:30 – APRESENTAÇÕES CULTURAIS DE ALUNOS ( SEMED)
19:30 – Concerto Musical Banda  da Guarda Municipal
 20:30 – Show: “Bumba Meu Boi” de Fernão Velho

DIA 3 DE AGOST0 (SÁBADO)
9:17 – Trem Literário saída de Maceió, com poesia, música e livros.
10:00 –  MESA 11: “A História de Fernão Velho” – Professor Plínio
11:00 –MESA 12 – “A História da Fábrica Carmen” – Fábio Assis
14:00 – Nos Toldos: Contação de história, recital, música, e outras manifestações culturais.
16:30 – Encerramento da FLIFEV
17:00 – Concerto da Orquestra Sinfônica de Alagoas.

DURANTE OS DIAS 1, 2 E 3 DE AGOSTO NA PRAÇA SÃO JOSÉ DAS 9:00 HORAS DA MANHÃ ÁS 22:00 HORAS, HAVERÁ SEMPRE UMA ATRAÇÃO CULTURAL.
LIVRARIA BEABÁ
LANÇAMENTO DE LIVROS.
BIBLIOCOOP – TROCA DE LIVROS
BIBLIOTECA VOLANTE – ESPAÇO SABER – COM CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS, EMPRÉSTIMOS DE LIVROS.
TENDAS DA SEMED – CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS, SARAUS DE POESIA, MÚSICAS E OUTRAS ATRAÇÕES.
NO PALCO NAS TARDES DE QUINTA E SEXTA- SHOW COM ALUNOS DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO - PROJETO TEIA.
TENDA DA 3ª IDADE – COM A TURMA DO FRANCISCO SILVESTRE
TENDA DA COMUNIDADE: APRESENTAÇÃO DA CULTURA POPULAR DA COMUNIDADE DE FERNÃO VELHO.
E MAIS OUTRAS ATRAÇÕES – A PRAÇA ESTARÁ ABERTA A TODOS OS ARTISTAS QUE QUEIRAM SE APRESENTAR.

HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA


              O CASAMENTO DE ROSALVA



Rosalva só falava, só vivia, só pensava em seu casamento. Um ano e três meses de planejamento e preparação. Escolheu a melhor igreja da cidade; o vestido, um primor, era ótima costureira. Vivia trocando a relação dos 150 convidados. Mais de um ano vivendo de expectativa do casamento. Aqueles momentos de preparação, de organização e planejamento, faziam de Rosalva a mulher mais feliz do mundo. Parte do dinheiro que seu pai deixou de herança ela gastaria na cerimônia e recepção. Gostava de ouvir as sugestões das amigas. O noivo, Cândido, não era o que se pode chamar de trabalhador, tinha uma boa conversa, discurso revoltado com a situação do país, era conformado com uma sinecura no Governo, arranjado pelo primo deputado. Ajudava Rosalva em alguns preparativos. Quando os noivos estavam a sós, se grudavam em abraços, beijos e amassos, entretanto, a virgindade foi preservada, tal como prometera ao pai antes dele morrer, um pastor antiquado. Só daria depois de casada.
Afinal o dia do casamento, um bispo fez uma bela pregação, Rosalva emocionou-se ao ouvir citar o pai, o casamento foi bonito como ela queria. Preparou-se durante mais de um ano para uma cerimônia de uma hora e uma recepção aos amigos e parentes. Ela estava feliz, realizada.
Lua-de-mel em Salvador, Cândido fez e aconteceu, ensinou pormenores, Rosalva gostou, uma semana e meia de amor, o noivo mostrou sabedoria e competência, a esposa era só felicidade.
   Afinal a festa acabou. E agora Cândido José? Como acostumar-se à vida de casado? Ele até
que fez força para ficar em casa sossegado, mas foi difícil se conter. Começou a frequentar os bares da vizinhança enquanto Rosalva ensinava em dois colégios. Cândido não ia ao trabalho, dizia ganhar pouco para trabalhar, contudo, adorava no final do mês ver depositado o pequeno salário. Outro emprego, a preguiça não deixava, desculpava ser funcionário público não podia assinar carteira.  Essa vida de malandro foi prevista pelas amigas.
Ela trabalhava dois turnos, teve que contratar uma jovem diarista para faxina e serviços gerais duas vezes na semana.  O almoço e o jantar o casal preparava no momento conveniente. Assim foram os primeiros anos de casamento.
Certa tarde houve um problema na escola, muita chuva, pingueiras, não havia condições de aulas, alunos e professores foram dispensados. Rosalva ficou alegre, naquele dia faziam dois anos de casados.  Pensou numa tarde de chuva e amor com Cândido, o bom de cama. Foi ao supermercado, comprou um galeto na brasa, algumas cervejas. Radiante faria uma surpresa a seu marido. Eram ainda três horas da tarde. Ao chegar em casa, abriu a porta e percebeu vozes no quarto de empregada, colocou os pacotes na mesa, aproximou-se devagar, ouviu o diálogo entre surpresa e irada.
- Seu Cândido o senhor me prometeu um agrado, estou precisando, pelo menos 50 real, vá seu cara, eu não fiz o que você queria?
- Lindinalva entenda, é uma questão de princípio, eu não dou dinheiro à mulher, dou presente; essa calcinha vermelha não fui eu que dei? Você é gostosa, estou doidão por você, lhe dou presente, mas, dinheiro não, é contra meus princípios, um homem de bem como eu, tem que ter princípios.
Os dois seminus sentados na cama foram surpreendidos com a fúria de Rosalva batendo com um rodo grosso em suas cabeças, gritando incontida.
- Para fora de minha casa, dois safados. Vou mandar lhe capar!
Cândido nem tentou se explicar, ao sentir a força irada da esposa, de cueca, escafedeu-se pelas portas do fundo, correu pela rua do jeito que estava; nunca teve coragem de retornar ao lar. A morena levou uma surra de rodo e panela. Rosalva juntou os pertences do marido no meio da rua, tocou fogo. Foi o assunto da semana na vizinhança.
Por orientação de uma advogada, Rosalva entrou com uma ação por traição e danos morais. Semana passada saiu a sentença, o juiz condenou Cândido a pagar R$ 30 mil como indenização das despesas do casamento que Marilda bancou. Como ele vai pagar, é outra questão.