VIVER É UMA ARTE...
Alberto Rostand Lanverly
Membro das Academias Maceioense e Alagoana de Letras e do IHGAL
Muito cedo, ainda, durante o aprendizado da matemática básica, conscientizei-me de que uma reta se caracteriza como o caminho mais curto entre dois pontos quaisquer. Anos depois, já estudante universitário, convivendo com docentes inesquecíveis em minha vida, aprendi muito sobre os diversos conceitos que embasam a Engenharia Civil, embora minha predileção pelos temas que envolviam estradas e transportes sempre merecessem especial denodo.
Os anos passaram... Cada dia melhor entendo como os ponteiros dos relógios aceleram em velocidade exuberante. O mais impressionante, contudo, é as horas não se apagarem e correrem em revoada sem a possibilidade de recuos. Há pouco mais de quinhentos anos, na mesma época do Descobrimento do Brasil, os Pombos Correio se apresentavam como ferramenta fundamental do diálogo entre os vinte e três Cardeais que, reunidos em Roma, durante o Conclave de escolha para o sucessor do Papa Inocêncio VIII, elegeram Alexandre VI ao Trono de Pedro. Tudo era tão lento, a ponto de oferecer aos circunstantes a doce possibilidade de levar até meses, antes de decidir. Hoje, na era do whatsapp, a vida não permite ensaios, pois inexistem rodeios no acaso.
Pessoas há defensoras da ideia de o destino não conhecer a linha reta; outras, porém, como Kalil Gibran, alardeiam sermos todos iguais às flechas: quando deixam a curvatura do arco que as projetam, buscam os alvos para onde estão apontadas. Os traçados seguem, de forma cirurgicamente matemática, como pássaros que nunca retornam, e só nos damos conta da angústia do tempo, quando envelhecemos.
Recordo de uma mangueira e muitas bananeiras existentes na casa onde morava, na Rua Comendador Palmeira. Naquela época as horas pareciam nunca caminhar. Lembro-me, também, de um relógio, tipo Oito, movido a corda que ornamentava a sala de jantar de meu Bisavô Martinho e que hoje continua funcionando em uma parede de meu lar. À época, cada batida de suas molas contando passagens dos minutos, tinham, para mim, gosto de delícias, pois marcavam o momento de comer queijo derretido no tacho, com filhoses e biscoitos palitos, por exemplo.
A cada instante mais cuido para fazer valer dois elementos considerados fundamentais em meu destino: o primeiro é sempre acreditar que o pensamento recupera a lembrança, possibilitando-me ter condições de, a cada dia, ser tão forte o quanto puder, mesmo consciente de sermos apenas o somatório dos segundos já vividas. Valorizá-las significa a grande arte de viver.
Em segundo plano, na atualidade, já cercado de netos, nunca haverei de deixar arrefecer minha preferência pelo esforço de, sempre que possível, construir rodovias que, dentre outras serventias, desde priscas eras, aproximam comunidades e também pessoas, ao contrário dos muros e das paredes que, embora protejam, segregam e isolam os seres humanos dentro de seus próprios medos.

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