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segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

DEU NO JORNAL DA BESTA FUBANA - LUIZ BERTO - EDITOR GERAL

TINHA UM “MAS” NO MEIO DO CAMINHO…

Sábado passado, dia 10, foi postado aqui um texto do jornalista Sandro Vaia intiulado Até o pescoço, pela liberdade.
Um texto magnífico, do qual eu gostaria de destacar este trecho:
“Mas atrás da poça de sangue que restou da reunião de pauta do Charlie Hebdo, os antropófagos da democracia começaram a roer os ossos dos mortos e a relativizar o ataque dos fanáticos islâmicos e a colocar, como colchão entre a civilização e a barbárie, as suas ponderações recheadas da habitual vigarice ideológica.
“Sou contra ataques terroristas, mas…”.
Mas o que? Ah, o jornal era muito agressivo e não respeitava a fé islâmica; ah, o ataque vai aumentar a escalada xenofóbica na Europa e vai fortalecer a extrema direita; ah, a liberdade de imprensa tem que ter limites; ah, um jornal satírico não pode ser desrespeitoso com as crenças do outro… e muitos outros mas.
É feito o poema de Drummond:
“Tinha um ‘mas’ no meio do caminho…”
Me lembrei imediatamente do artigo de Sandro Vaia quando um leitor fubânico fez ontem um comentário que começava assim:
“Nada justifica os assassinatos dos chargistas do Charlie Hebdo. Mas, …”
E lá vinha o miserável do “mas”…
Na verdade, o “mas” era pra justificar o que o leitor chamou de “os assassinatos dos chargistas”.
Não se deve matar chargistas, “mas” se eles fizerem charges gozando com o islamismo…
Mas, porém, contudo, todavia…
Charles Hebdo já publicou coisas bem mais debochadas e irreverentes com a Igreja Católica do que as charges que satirizavam Maomé.
Mas, porém, contudo, todavia, com o catolicismo, com o budismo, com o espiritismo, com o protestantismo e com todas as outras religiões do mundo que não são declaradamente contra os Zistados Zunidos e seu gunverno satânico, exterminador e diabólico, aí é permitido ao Charles Hebdo publicar charges avacalhando com clérigos e figuras sagradas. Não sendo islâmicas, pode publicar.
Como, por exemplo, botar na capa do Charles Hebdo o Papa Bento XVI dançando com um guarda do Vaticano ou uma roda de cardeais baitolas, de batinas levantadas, um enfiando a pajaraca no outro.
Sandro Vaia foi simplesmente genial ao definir como “antropófagos da democracia” aqueles componentes do time de eufemistas que usa e abusa do “mas“.
RDC

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