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sábado, 11 de outubro de 2014

UM TEXTO DE ANIVALDO MIRANDA - IMPERDÍVEL

QUANDO A DEMOCRACIA É A MELHOR CONSELHEIRA!


Meu dileto amigo Fernando Dias, advogado carioca e companheiro de lutas e jornadas desde os anos de chumbo, postou comentários em defesa de Marina Silva e Aécio Neves o que lhe valeu uma saraivada de críticas, nem todas republicanas. Senti-me no dever de entrar no debate e produzi o que segue: 
A burguesia brasileira nunca foi tão feliz quanto nesses últimos 12 anos de governo: o PT fez o pacto dos sonhos do capital: entregou a economia para os banqueiros que nunca antes tiveram lucros tão fantásticos (Bradesco, Itaú e cia.) pacificou os pobres com políticas compensatórias de segunda ordem e contentou-se com o assalto à máquina do Estado promovendo o maior festival de empreguismo de que se tem notícia. Revendo esses 12 anos é como reencontrar no cinema o clássico "A classe operária vai ao paraíso." O velho programa petista de guerra foi parar na cesta de papéis. E um novo programa ( A Carta aos Brasileiros, lembram-se ?) foi colocado em prática com foco em algo que poucos percebem, ou seja, o grande cofre da poupança nacional, o BNDES, virou o botim dos monopólios para a festa do Friboi, da Brahma que se fundiu com a Artártica, da Sadia, da Perdigão e vai por aí. Os movimentos sociais foram cooptados, o movimento sindical apelegado, o Brasil reduzido ainda mais ao histórico papel de mero exportador de coomodities para alegria das antigas e novas potencias econômicas. A dependência aprofundou-se, o populismo getulista e ademarista foi ressuscitado e um certo desprezo pelas práticas democráticas (com estranho odor fascista voltou a incomodar uma sociedade que ansiosamente procura se distanciar de um passado ditatorial traumático. A esquerda anticomunista que deu origem ao PT e tanta esperança provocou nos estertores da ditadura porque se apresentava como a novidade democrática e tolerante para o novo milênio era, infelizmente, apenas um engenhoso guarda-chuvas eclético, que de novo só tinha de fato a retórica, uma vez que não possuía um projeto claro para o país, compromissos com a democracia e muito menos empenho para relançar o programa da esquerda nas condições do novo tempo e da nova sociedade. O resultado dessa miséria ideológica que é a essência desse conglomerado fisiológico parido daquela barulhenta porém volúvel esquerda petista,é esse melancólico panorama de uma esquerda que não é mais esquerda de coisa alguma, seja qual for a referência política. Como você, Fernando, também votei em Marina não porque represente qualquer idealização de perfeição da política (algo que não existe) mas sim porque expressou a vontade e a ousadia da procura de um novo caminho para a esgotada época de experiências presidenciais pós-ditadura. Hoje voto Aécio não porque nele identifique exatamente todas as minhas aspirações como eleitor ou porque nele identifique a essência de minhas convicções e expectativas ideológicas. Voto em Aécio para cumprir com a lógica do segundo turno e, nesse sentido, para reconhecer que mesmo não tendo o seu partido, o PSDB, o potencial para conduzir em profundidade as mudanças modernizantes que o país precisa, é porém, em termos de respeito à democracia. capacidade de gestão e planejamento, e respeito ao patrimônio público, muito, mas muito melhor do que essa lamentável coisa em que se transformou o PT apesar da honradez e sinceridade de muitos petistas que ajudaram a construir esse sonho que o lulismo transformou em pesadelo. Parabéns, Fernando. Uma das qualidades que caracterizam os grandes revolucionários como você é sempre a manutenção da lucidez, a coerência intelectual, a aversão à intolerância e a capacidade de fazer a leitura dialética da realidade cambiante. Saravá! Aécio 45!

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