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quarta-feira, 23 de julho de 2014

DEU NO JORNAL DA BESTA FUBANA - LUIZ BERTO - EDITOR GERAL E PAPA DA ICAS

BRUNO SOBREIRA – UBERABA-MG

Caro Papa,
Publique aí no melhor blog do Brasil este e-mail que recebi de um amigo paulista, meu contemporaneo na faculdade de medicina e um grande companheiro.
Saudações fubanicas.
R. Pronto: ganhei o dia.
Chamar esta gazeta escrota de “o melhor blog do Brasil” é muita areia pro meu caminhãozinho. Fiquei ancho que só a porra!
Brigadão, meu doutor, pela generosidade de vossa apreciação. Disponha sempre.
E aqui está o texto que você nos mandou:
* * *

A UM EX-COLEGA DE MILITÂNCIA
Caro amigo,
Confesso que senti certo saudosismo ao receber seu e-mail convocando a militância petista para voltar aos velhos tempos nessas eleições.
Imagino que você o enviou a todos os seus contatos, por isso ele acabou chegando a mim, embora você saiba que já se passaram muitas eleições desde que deixamos de defender as mesmas bandeiras.
Mas, reconheço, quando chega essa época, sempre lembro das nossas aventuras de militância petista. Lembro principalmente da eleição de 1989, a primeira para presidente, depois de décadas de autoritarismo. Para nós, a primeira eleição para presidente, já que em 1964 nem éramos nascidos!
No começo, pouca  gente acreditava que poderíamos levar Lula para o segundo turno, mas nós não nos incomodávamos, estávamos lutando por uma causa, para mudar o Brasil! Por isso, gastávamos dinheiro do próprio bolso para imprimir símbolos do PT em camisetas. Depois vendíamos e usávamos o dinheiro para fazer mais material de campanha, lembra? Era o nosso jeito de enfrentar os poderosos, os candidatos apoiados pelos grandes grupos econômicos e pela mídia.
E conseguimos! Superamos Covas e Brizola na reta final e fomos ao segundo turno contra Collor, para fazer a verdadeira luta da esquerda (nós) contra a direita (eles). A luta do bem (nós) contra o mal (eles)!
Ah, meu amigo, hoje sei que aquela foi a melhor parte! Foi o tempo das chamadas carreatas, onde exibíamos nossas bandeiras e nossa disposição de luta. Lembra quantas vezes eu, você e mais dois ou três amigos botamos nossos carros em fila pelas ruas da cidade e terminamos sendo seguidos por dezenas de outros? Seguíamos uns aos outros espontaneamente, fazendo carreatas a qualquer dia e qualquer hora…
No fim, perdemos a eleição. Lamentamos, botamos culpa na Globo, na edição debate com o Collor. Nem percebemos que saíamos fortalecidos para as campanhas que viriam depois. O tempo passou e outras eleições vieram. Conquistamos prefeituras e governos estaduais, além de elegermos deputados e senadores. Em 2002, finalmente elegemos Lula presidente da república!
Só que, aí, nem o Lula era mais aquele Lula, nem o PT era mais aquele PT. Vieram as alianças com políticos que tínhamos passado a vida chamado de reacionários, de corruptos, de ladrões mesmo. Vieram as denúncias de corrupção, a criação de cargos em comissão, o aumento do número de ministérios…
Impeachment do Collor - Lula
Quando o Lula apareceu na TV pedindo desculpas, dizendo que o PT precisava pedir desculpas, por causa das denúncias do mensalão, eu já tinha minhas dúvidas quanto ao Lula e quanto ao PT. Você sabe disso. Junto com alguns de nossos amigos vocês diziam que eu havia sucumbido aos apelos da mídia reacionária, e que estava traindo nossos ideais.
Só que dos meus ideais sei eu, e eles – os meus ideais – continuam os mesmos. Apenas não os identifico mais com o jeito de ser do PT.
Desde aqueles festivos tempos de 1989, meus ideais já repudiavam a compra de votos de deputados, o desvio de recursos públicos para campanhas políticas, a troca de cargos no governo por tempo de propaganda eleitoral na TV, coisas que se tornaram comuns no governo do PT.
Conforta-me saber que não sou o único a pensar assim. Muitos de nossos companheiros daquela época se afastaram do PT e outros tantos se afastaram da própria política.
Onde está a militância que trabalhava de graça, como nós, para apoiar nossos candidatos e nosso partido? Não há mais. Os apoiadores do PT hoje são homens como Maluf, Sarney, Collor e tantos outros que eu e você considerávamos nocivos ao país. Aliás, eu continuo considerando. E você? Você tem dito que essas alianças são fundamentais para a governabilidade. Um mal necessário.
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Acontece, amigo, que sempre repudiamos esse tipo de conchavo para se manter no poder (continuo repudiando). Além do mais, sabemos que, em termos de governabilidade, o país está uma bagunça, com dezenas de ministérios que não se sabe para que servem. Para que tantos ministérios, se necessidade básicas, como educação, saúde e segurança estão longe de ser atendidas? Se crianças vão à escola para nada aprender e jovens saem da universidade sem saber sequer ler e escrever razoavelmente?
Li outro dia em uma notícia que o número de analfabetos funcionais no Brasil chega a 33 milhões. No ranking de educação da OCDE, estamos em 35º lugar entre 36 países. Claro que para você essas são informações divulgadas pela mídia golpista, dominada pelo poder econômico, logo, não valem.
Nossos velhos inimigos: a mídia e o capital. Você parece não ver (ou fingir que nâo vê) que essas são duas forças sem bandeira, logo, não têm motivo algum para ser contra o PT, que as tem favorecido generosamente. Veja as despesas com publicidade e os lucros dos bancos e você saberá do que estou falando.
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Mas, não quero retomar essas discussões. O motivo de eu lhe escrever foi unicamente para dizer que não posso aceitar o seu convite, aproveitando a ocasião para lembrar a você e a alguns de nossos amigos, que ainda permanecem petistas, que, apesar disso, não sou um “coxinha” nem faço parte da “direitona reacionária”.
Eu era, e continuo sendo, apenas um brasileiro, disposto a defender o que me parece ser melhor para o Brasil, e não para um partido. Se não estaremos do mesmo lado nessas eleições, não é porque eu mudei, mas, pelo contrário, porque permaneci a favor da escola pública de qualidade para todos, da liberdade de expressão, da democracia e, acima de tudo, da ética, inclusive na política.
Antes de ser petista, sempre fui brasileiro. Era por isso que eu estava ao seu lado naquela época, na militância do PT. Porque eu acreditava que o PT era o melhor para o Brasil. Faz tempo que não acredito mais nisso. E ponto.
Um abraço a todos vocês e boa sorte na campanha.

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