Franklin Martins, em entrevista ao IG, cobra um gesto contundente ao Exército: “as Forças Armadas devem um pedido formal de desculpas ao País” pelo regime militar.
Para quem se esqueceu, ou não viveu aquele período, Franklin Martins foi membro do Frente de Trabalho Armado (FTA), do Grupo Dissidência pela Guanabara (DI/GB), responsável pelas ações armadas, sequestros, roubos e assaltos a bancos e à residência de um deputado, ataques a sentinelas, roubos de armas e explosivos, assassinatos (“justiçamentos”). Idealizou e participou do seqüestro ao embaixador norte-americano, Elbrick, tendo fugido para Cuba e recebido treinamento de manuseio de armamentos e explosivos, técnicas de guerrilha, etc.
Estando em Cuba por 11 meses, voltou para atuar no Movimento Revolucionário 8 de outubro (MR-8), em fins de 1970, tendo ainda se exilado na Argentina e no Chile. Naquela época, a cúpula do MR-8 ditava as ordens para os militantes que permaneciam no Brasil, diretamente do Chile. Na ocasião, Franklin Martinsesteve clandestinamente no País por duas vezes.
O MR-8 assim se definia “Somos uma organização política marxista-leninista, cuja finalidade é contribuir para a criação do partido revolucionário do proletariado no Brasil, que assuma a vanguarda da luta da classe operária e da massa explorada, pela derrubada do poder burguês, pela supressão da propriedade privada dos meios de produção e pela construção da sociedade socialista como transição para a abolição da sociedade de classe e o ingresso numa sociedade comunista.”
Mais honesto foi o seu companheiro Daniel Aarão Reis Filho, que, com ele, integrava a Direção Geral da DI/GB/ MR-8, e, em entrevista publicada em O Globo de 23/09/2001, declarou: “As ações armadas da esquerda brasileira não devem ser mitificadas. Nem para um lado nem para o outro. Eu não compartilho da lenda de que no final dos anos 60 e no início dos 70 (inclusive eu) fomos o braço armado de uma resistência democrática. Acho isso um mito surgido durante a campanha da anistia. Ao longo do processo de radicalização iniciado em 1961, o projeto das organizações de esquerda que defendiam a luta armada era revolucionário, ofensivo e ditatorial. Pretendia-se implantar uma ditadura revolucionária. Não existe um só documento dessas organizações em que elas se apresentassem como instrumento da resistência democrática.”

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