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quinta-feira, 20 de março de 2014

JB NA HISTÓRIA

1953 - Adeus ao Velho Graça

Jornal do Brasil: Sábado, 21 de março de 1953 - página 8

O romancista Graciliano Ramos,
60 anos, morreu no Rio de Janeiro,
vítima de câncer pulmonar.
Incisivo e direto,
manteve lado-a-lado
o interesse estético
e o comprometimento ético
num indissociável vínculo
entre literatura e vida.

Desde sempre, manifestou preocupação com as precárias condições sociais do povo brasileiro, trazendo para a vida pública a sua história pessoal, principalmente no sertão nordestino em que nasceu.


Alagoano da pequena Quebrângulo, foi na cidade vizinha, Palmeira dos Índios, que ingressou na política, chegando a prefeito em 1928. Contudo, a vocação literária falou mais alto, fazendo-o desistir do cargo dois anos mais tarde. Já em Maceió, assumiu a direção da Imprensa Oficial e da Instrução Pública do estado. E publicou as primeiras obras: Caetés (1933), São Bernardo (1934) e Angústia (1936).

Nesse tempo, o país vivia tenso clima político. O fracasso da Intetona Comunista (1935) ensejou o fortalecimento do totalitarismo fascista - que tinha na figura do presidente Vargas um de seus simpatizantes - e sufocou o prestígio da oposição, principalmente da classe intelectual, que passou a sofrer forte repressão. No levante de perseguição estava Graciliano, que, detido em 1936, foi deportado de navio para o Rio e viveu sua mais amarga experiência: a clausura. Na prisão, conheceu uma notável galeria de personagens, entre jornalistas, revolucionários e militantes da esquerda.

Graciliano Ramos. Reprodução/CPDoc JB


Libertado no início de 1937, fixou-se no Rio, onde reafirmou-se como jornalista e publicou, no ano seguinte, Vidas Secas: a saga de uma família nordestina em luta pela sobrevivência, retratando a desigualdade social brasileira.


Em 1945, publicou Infância, romance autobiográfico.


As terríveis Memórias do Cárcere

A passagem pela prisão foi o capítulo mais terrível da vida de Graciliano Ramos. Dissabores que seriam relatados na obra Memórias do Cárcere, um triste inventário da repressão. A viagem de Alagoas ao Rio no porão do navio, a chegada à Casa de Detenção, a transferência para a Ilha Grande e a Casa de Correção. Remexer nas lembranças e documentar a experiência foi um trabalho árduo, dificultado pela saúde já abalada do escritor.

O livro foi postumamente publicado no ano de sua morte, mas sem a conclusão do capítulo final, em que descreveu a sensação de estar novamente em liberdade.

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