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segunda-feira, 3 de junho de 2013

JB NA HISTÓRIA

3 de junho de 1989: O massacre na Praça Celestial

O massacre na Praça Celestial. Jornal do Brasil: Domingo, 4 de junho de 1989.

Depois de sete semanas de hesitações e erros táticos, o Exército chinês finalmente conseguiu ocupar a Praça da Paz Celestial, no centro de Pequim, onde milhares de estudantes exigiam a reforma do regime e a queda do primeiro-ministro Li Peng. Mas o preço foi alto. A resistência ao avanço das tropas, em diferentes pontos da capital, deixou um saldo de centenas de vítimas, entre mortos e feridos.

Barricadas, veículos militares incendiados, comboios bloqueados por barreiras humanas e cenas dramáticas de confronto multiplicaram-se pela Avenida Changan, a principal da cidade, e outras artérias de acesso à praça central, num clima de conflagração inédito nos 40 anos da China comunista.

A decisão tomada pelo Partido Comunista em responder aos manifestantes com a força indignou os estudantes. A tropa que matava era o Exército de Libertação Popular, cujas origens vinham das mudanças introduzidas nas Forças Armadas por Mao Tsé Tung, quando este chegou ao poder em 1949. Os soldados, muitos deles extremamente jovens e inexperientes, passavam por um dilema: ou atiravam nos seus compatriotas ou sofreriam as penalidades aplicadas pelo Chefe do Estado Maior. Houve soldados que ameaçaram se suicidar caso fossem obrigados a atirar contra a população.

Um heroi anônimo

A cena-símbolo do massacre foi a de um jovem chinês que tentou impedir sozinho a passagem de uma coluna de 18 tanques. Depois de colocar-se exatamente na linha de avanço dos blindados, ele foi caminhando, calmo e ritmado, na direção da coluna. Houve um ligeiro desvio da parte dos militares para sair da rota colisão com o intruso, mas ele não desistiu. Vestia uma camiseta branca quando se lançou mais de uma vez na frente dos blindados para impedir que eles chegassem novamente à praça. Como numa corrida de touros, voltou a encarar a coluna de frente.

O solitário toureador de blindados acabou dobrando os inimigos, e os tanques pararam. Ele subiu então no primeiro deles e, batendo com os punhos na carcaça, gritou: "Fascistas, fascistas". Afinal desceu e, cercado por colegas manifestantes, desapareceu na multidão. A cena não durou mais que um minuto mas foi registrada pela TV e mostrada ao redor do mundo. A identidade do heroi nunca foi descoberta.

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