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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Prostitutas mais velhas de Amsterdã contam segredos em livro. G1



As gêmeas idênticas Louise e Martine Fokken, de 70 anos. (Foto: BBC)As gêmeas idênticas Louise e Martine Fokken, de
70 anos. (Foto: BBC)
As mais antigas prostitutas de Amsterdã foram jogadas na ribalta com o lançamento de suas memórias e de um documentário sobre suas vidas. O filme "Meet the Fokkens" (Conheça as Fokkens, em tradução literal) segue as gêmeas idênticas Louise e Martine Fokken, de 70 anos de idade, que compartilham os segredos da venda de sexo no famoso distrito da luz vermelha da cidade.
Louise e Martine se embaralham no apartamento de dois quartos que dividem em Ijmuiden, a oeste de Amsterdã. Uma de chinelos, a outro de sandálias, elas pegam canecas de café e seus bolos de creme favoritos. Há uma sincronicidade inconsciente em seus movimentos.
Martine cantarola enquanto Louise resmunga sobre famílias forçadas a fugir durante a Segunda Guerra Mundial. Sua mãe tinha origem judia, algo que conseguiu esconder das forças de ocupação nazistas, permanecendo na Holanda. Já o tema da canção de Louise transita entre a alegria de viver e a tristeza de deixar alguém.
"Nós éramos muito pequenas durante a guerra. Quando as sirenes soavam, nossa mãe nos levava ao porão. Nós não tínhamos capacetes e por isso usávamos frigideiras para cobrir nossas cabeças. Ficávamos muito engraçados. E nos divertíamos lá".
Mas suas memórias são de lágrimas ou de risos?
"Oh, risos, definitivamente risos. Você tem de rir mesmo se estiver triste, porque é a sua vida e você não pode mudá-la. É sempre melhor se você está sorrindo".
As irmãs concordam em uníssono. Mas os seus lábios habilmente pintados de vermelho não diminuem o brilho de tristeza em seus olhos. "É claro que quando tínhamos 14 ou 15 anos nunca pensamos em trabalhar como prostitutas um dia. Éramos criativas e cheias de sonhos", diz Martine.
Louise acrescenta: "Eu sempre conto que o meu marido me batia. Ele era violento e disse que iria me deixar se eu não vendesse sexo para ganhar mais dinheiro".
"Mas ele foi o amor da minha vida ...", diz ela.
As crianças de Louise foram levadas para um orfanato. Ela ainda guarda fotografias, que ficam nas prateleiras de uma estante antiga, mostrando seus pequenos rostos sorridentes.
Louise e Martine quando ainda trabalham juntas. (Foto: BBC)Louise e Martine quando ainda trabalham juntas.
(Foto: BBC)
Falando da experiência
Martine ainda vende sexo. Ela diz que a aposentadoria do estado holandês não é suficiente para o seu sustento. Já Louise teve de parar por sofrer de artrite.
Martine diz que gostaria de se aposentar, mas não pode. O documentário a mostra no trabalho - sentada em um banquinho, de meias finas, cinta-liga e sapatos altos envernizados.
Homens jovens que passam em frente à sua vitrine, alguns deles fazendo turismo sexual, zombam porque ela é velha. Ela ri da situação (como faz com tudo) e afirma não se importar.

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