4 de outubro de 2009: Adeus a La Negra. Morre Mercedes Sosa

O corpo da artista foi velado na sede do Congresso Nacional argentino, em Buenos Aires, e sepultado e no Cemitério local.
Com seis décadas de carreira na qual circulou por todos os gêneros musicais, também no exílio, enfrentando a censura de ditadores, Mercedes Sosa repartiu o palco em todo mundo com músicos de diferentes estilos e gerações, sem perder nunca sua profunda ligação com o folclore, a música predominante do interior argentino. La Negra, como era carinhosamente chamada, é considerada a voz da maioria silenciosa, pela defesa aos pobres e sua luta pela liberdade.
"Não sou mais jovem, nem bela, mas ainda tenho minha voz, e minha alma sai de mim através dela". Mercedes Sosa
Haydé Mercedes Sosa nasceu no dia 9 de julho de 1935 em uma família pobre na na província argentina de Tucumán, onde a principal atividade econômica era a produção de açúcar. Seu primeiro contato com a fama foi aos 15 anos, ao ganhar um concurso de talentos em uma emissora de rádio local. Consagrada na reinterpretação de canções de outros autores, abraçou a poesia popular da Argentina em particular e da América Latina em geral. Mesmo tendo incursionado por gêneros como o tango e o pop rock em algumas fases de seua carreira, suas raízes sempre estiveram na música folclórica.
Nas turbulentas décadas de 1960 e 1970, Sosa foi um expoente chave doNuevo Cancionero, movimento altamente politizado que tratou de levar a música popular de volta a suas raízes. Ela também integrou o Partido Comunista e suas posições políticas lhe trouxeram problemas durante a ditadura militar argentina (1976-1983), quando seus discos foram proibidos e ela se viu obrigada a exilar-se, partindo para a Europa.
Sosa se definia com frequência como uma mulher de esquerda, ainda que sempre lembrava ter vocação para a música. Sua poderosa voz ganhou aplausos internacionalmente e popularidade no seu país. Foi condecorada com prêmios internacionais em reconhecimento à sua dedicação em defesa aos direitos humanos, em especial ao da mulher.
Sua versão para Gracias a la vida, de Violeta Parra, converteu-se em um hino para os esquerdistas de todo o mundo nas décadas de 1970 e 1980.
Outras efemérides de 4 de outubro
"Não saberia fazer de outra forma. E isto é a pura verdade. A exaustão faz parte de mim, até mesmo nas viagens que realizo. As pessoas ficam espantadas porque, mesmo nos ensaios, eu canto desta forma. Mas é a única voz que possuo. E é como sei fazer." Janis Joplin
1957: É lançado o Sputnik I
1965: Multidão recebe JK na volta do exílio
1970: Morre Janis Joplin. Blues perde sua áspera voz branca

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