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domingo, 19 de junho de 2011

UM TEXTO DE RONALD MENDONÇA

MUNDO INJUSTO E DESIGUAL
RONALD MENDONÇA
MÉDICO
CID-F
Torço para que não passe de um grande equívoco o envolvimento dos colegas médicos indiciados na operação da Polícia Federal, identificada pela sigla CID-F, irônica referência à codificação internacional das doenças psiquiátricas. O sarcasmo teria lá suas razões, posto que, segundo se propalou, os supostos beneficiários seriam todos portadores de graves e irrecuperáveis patologias mentais, dados que tornariam o nosso maltratado torrão natal na inglória situação de maior concentração de loucos por metro quadrado do planeta.
Na verdade, se comparados com os grandes esquemas de mordidas no erário praticados por gestores da res publica nos últimos anos, é uma bocanhada modesta, diria tímida, acanhada até. Doze milhões em três anos é quase uma atuação de batedor de carteira. Isso prova, que até nessas horas o médico é ingênuo.
O próprio Palocci, sanitarista, que não teve condições “higiênicas” de exibir suas fontes, é, nesse aspecto, um fura-pacote. O que são dez ou vinte milhões quando se compara com os esquemas de algumas assembléias estaduais, com os desvios patrocinados, por exemplo, pelo juiz Nicolau dos Santos, em São Paulo, ou o rombo de milhões atribuídos a Paulo Maluf?
No recolhimento das minhas orações, tenho pedido ao Altíssimo que não permita que o honrado PT (através dos seus ilustres membros) possa estar, mais uma vez, com a mão na botija. Seria muito cruel que uma agremiação (segundo Delúbio Soares) “que não rouba, nem deixa roubar” ser autora dessas traquinagens.
O fato é que, na eventual confirmação das acusações, estaremos diante de apenas mais um caso de desvios  do dinheiro do contribuinte. O país vive esse clima de generalizada sensação de lassidão moral impune. O exemplo vem de cima. O cidadão comum vai às ruas, lê os jornais burgueses, hegemônicos e reacionários e fica com a certeza de que transgressões são permitidas.
 Com as exceções de praxe, é banal ver-se um pé-rapado qualquer, muitas vezes beirando o analfabetismo funcional,  eleger-se e ao cabo de poucos anos transformar-se numa inexplicável potência financeira. Se o sujeito já era rico, torna-se milionário. Também com as exceções de praxe, rico costuma roubar mais que o pobre.
É evidente que o INSS, com seus salários miseráveis, não poderia gerar grandes estragos. Especialistas e curiosos são unânimes em afirmar que um  das principais fontes de renda do político malandro são as obras públicas (estradas, aeroportos etc). É uma sugestão para os interessados.

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