domingo, 16 de junho de 2013

JB NA HISTÓRIA

14 de junho de 1972 - Morre Leila Diniz

Chama da de capa do Jornal do Brasil de 15 de junho de 1972.
"Viver, intensamente, é você chorar, rir, sofrer, participar das coisas, achar a verdade nas coisas que faz. Encontrar em cada gesto da vida o sentido exato para que acredite nele e o sinta intensamente". Leila Diniz

Leila Diniz, 27 anos, morreu num desastre aéreo, em viagem de volta ao Brasil. Ela retornava da Austrália, onde fora premiada como melhor atriz, no Internacional Film Festival, pelo desempenho no filme Mãos Vazias, Mais tarde, seus últimos registros, documentados num cartão postal para sua filha Janaína e em seu diário, revelariam sua felicidade por ser mãe e estar em paz com a vida.

Mito feminino de uma geração, Leila Diniz nasceu em Niterói. Professora primária, estreou no cinema em O Mundo Alegre de Elô (1965), depois de uma ponta no teatro, a convite da atriz Cacilda Becker. Ficou famosa em 1966, ao atuar no filme Mineirinho Vivo ou Morto, dirigido por seu então marido, Domingos de Oliveira. Em 1968, estrelou Edu, Coração de Ouro e, no ano seguinte, Corisco, O Diabo Loiro. A atriz também apareceu em novelas de televisão.

Uma mulher à frente de seu tempo.

Símbolo irreverente da resistência à ditadura nos anos 60, Leila incomodava aos mal-humorados de plantão por revelar uma fórmula alegre de vida, agindo sem hipocrisia, vergonha ou pudor, derrubando convenções e tabus. Defendia o amor livre e o prazer sexual, num tempo de machisto e conservadorismo absolutos.

Escandalizou a tradicional família brasileira em sua entrevista ao Pasquim, em 1969, onde falou abertamente sobre todos os assuntos, e disse: " Você pode muito bem amar uma pessoa e ir para cama com outra. Já aconteceu comigo". Essa matéria proporcionou a edição mais vendida do Pasquim em todos os tempos. E foi o estopim para a instauração da censura prévia à imprensa, mais conhecida como Decreto Leila Diniz.

Logo depois, repetiria a dose, ao exibir a sua gravidez de oito meses, na praia de biquíni e ao amamentar a filha Janaína diante das câmeras. Não havia volta. Começava ai, a revolução feminina da década de 70 no Brasil.

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