Em Angra dos Reis, um jovem magro, nariz adunco e camisa polo justa bradava para um grupo uniformizado:
— Essa passagem é pra VIP, ok? O resto faz fila ali. A expectativa é alta, a noite promete, a casa vai bombar.
Apesar de batizada na cartografia mundial como Ilha de Cunhembebe Mirim (conhecida por muitos como Ilha da Mandala), desde 2011 a palavra “ilha” caiu em desuso por ali. Agora é Isla, em espanhol. Mais precisamente, Isla Privilège, “o club mais exclusivo do Brasil”, diz o site da casa. Empreendimento do grupo mineiro Privilège — que, além de Angra, reúne filiais em Juiz de Fora e em Búzios — o pedaço de terra cercado de água por todos os lados é o endereço da diversão na Costa Verde dos jovens muito ricos do eixo Rio-SP. VIP, como se sabe desde que clube era chamado de boate, significa Very Important Person. E na Isla Privilège eles chegam em bando.
Microssaia é uniforme
Às 1h15m, um grupo de seis mulheres saltava de um barco. Metade loiras, metade morenas. Não há cabelos ondulados na Isla Privilège. Apesar do vento cortante vindo do mar que atinge Angra dos Reis nesta época do ano e da temperatura local ser de cerca de 15 graus, o uniforme era o mesmo: microssaia colada (nas versões lantejoula ou lisa, em que a dobrinha do bumbum chega a se insinuar para fora do pano); um cinto de metal tipo armadura; top decotado e salto fino que, vez ou outra, acabava enterrado no vão que se forma entre as madeiras do deque, tornando o andar claudicante e lento, num desfile menos glamouroso do que elas gostariam.
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