NAS ASAS DA BORBOLETA!!!
Alberto Rostand
Lanverly
Membro da Academia
Maceioense de Letras e do Instituto Histórico e
Geográfico de Alagoas
Estou convencido que,
se o homem fosse um ser único, não sonharia. Contudo como integrante de uma
imensa “tribo”, o faz na busca da realização de desejos reprimidos.
Possuidor
desta prerrogativa busco, sempre que possível, usufruir de seus encantos. Assim, dormindo ou
acordado, consigo realizá-los: com uma estrela eu possuo “um céu”, com uma casa
tenho o “meu mundo”, com minha família encontro a “felicidade”.
Contudo,
algo que ainda não consegui equacionar é o efeito da “saudade” na alma de um
cidadão. Chego até a pensar que em outra realidade existencial, os seres
humanos, devem ter sido condenados a trazer em seus corações, um sentimento que
não tem explicação, mas que dói com profundidade.
Naquele
sonho, passeava pelos cantos do mundo com Arthur, “meu neto” e Beatriz, “minha
flor”. Voávamos alto, sobre colinas, morros e flores, rios e oceanos. Éramos
borboletas e, como tal, podíamos ir e vir, subir e descer, bastando aproveitar
a “corrente dos ventos”. Em dado momento, um deles me perguntou: “Vovô Rock,
podemos ir visitar o Bizo, lá nas estrelinhas?”. Meu coração doeu, e me bateu
um sentimento de ausência, que não conseguia explicar. Já se vão doze meses que
Rostand “meu pai”, nos deixou fisicamente, mesmo continuando fortemente
presente em todos os ambientes que frequento.
E
lá fomos nós, em um voo de esperança, na expectativa de encontrar aquele a quem
tanto amamos. Depois de uma longa jornada, chegamos a um ambiente tranquilo,
onde “tudo é diferente” da realidade que conhecemos. Ele parecia nos esperar,
pois facilmente o encontramos. Sabia tudo a respeito de todos os “seus amados”,
aqui na terra, mas a sua maior alegria era porque “Sua Mema” estava feliz.
As
borboletas não choram, mas, aquela “por mim, encarnada”, não resistiu e o fez,
pois estava, “mais uma vez”, diante de quem, durante toda a existência, nunca
deixou de me oferecer atenção, nem que fosse “um pouquinho a cada dia”, que,
até enquanto pode, nunca me negou os ombros, para evitar que eu pisasse na
areia quente; que me incentivou a correr, estudar e praticar esportes, chegando
a encontrar tempo para comigo jogar bola no quintal de nossa casa, marcando um
gol e deixando que eu o vencesse por cinco a um; que me levava ao cinema, pintando-me
um “bigode”, para que eu pudesse ser admitido em filmes censurados para menores
de quatorze anos; que ria, contava histórias e era bom.
Já
faz um ano que Rostand, “meu pai”, foi embora, deixando uma lacuna
impreenchível em minha vida. Não há um dia, em que não vislumbre sua
imagem, não escute sua voz, não sinta
sua falta, não relembre suas conversas e vontade de viver. Viver com sua
família, que ele tanto amava.
Procuro
ser, para Beatriz, “minha flor” e Arthur, “meu neto”, o avô olímpico, amável,
campeão, que Rostand, “meu pai”, sempre soube ser, para mim. Eternamente o
amarei, meu pai.
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