11 de abril de 1973 - Portela, o berço do samba é lá
"Neste meio século,
da casa modesta
da baiana festeira Ester Maria de Jesus
à suntuosa Academia
Natalino José do Nascimento;
de Paulo Benjamim de Oliveira
a Paulinho da Viola;
de Madureira à Avenida;
a Portela mostrou o samba
ao mundo inteiro
- tema do seu primeiro
desfile oficial, em 1935 -
e o transporta agora
ao território imaginário de Passárgada,
sonhado por Manoel Bandeira".
DPD - JB
No ano do cinqüentenário da Portela, o Jornal do Brasil recontou a história do alvorecer da Azul e Branco na vanguarda do carnaval carioca numa matéria especialmente editada para presentear os integrantes da Escola. Não publicado, o material acaba de ser resgatado pelo CPDoc JBem homenagem ao seu 85º aniversário.
O berço deste gigante do samba foi um chalé em Osvaldo Cruz, na zona norte da cidade, onde Ester Maria de Jesus, no início dos anos 20, organizou o bloco Quem Fala de Nós Come Mosca, para desfilar pelo subúrbio. Mais tarde, já conhecido como Baianinhas de Osvaldo Cruz, passou a concorrer nos desfiles da Praça Onze. Integravam-no, entre outros, Paulo Benjamim de Oliveira, Antônio Caetano, Natal, Heitor dos Prazeres e Antônio Rufino dos Reis, bambas que fundaram, em 11 de abril de 1923, o Conjunto Carnavalesco Osvaldo Cruz na Estrada do Portela, na vizinha Madureira. Em 1928, a escola passou a se chamar Vai Como Pode, inaugurando o rol de títulos no primeiro desfile oficial de escolas de samba, em 1935, com o enredo O Samba Dominando o Mundo, de Paulo Benjamim de Oliveira e Antônio Caetano. A Portela, 21 vezes campeã do carnaval, contribuiu para a consolidação do samba como força popular e elemento de organização social.
O incidental nome coberto de glórias
Em março de 1935, em decorrência dos preceitos morais que o regime político vigente procurava incentivar, o chefe da polícia da Delegacia de Costumes e Diversões, Dulcídio Gonçalves recusou-se a renovar a licença da Vai Como Pode com este nome. Ele considerava a expressão ordinária e indigna às finalidades da associação. Sem conseguir dos sambistas presentes uma pronta sugestão, foi do próprio inspetor a solução, sugerindo a denominação Grêmio Recreativo e Escola de Samba Portela, em homenagem à rua de Madureira, endereço da sede onde se reunia a nata do samba da comunidade.
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